No dia 15 de agosto de 2023, o Brasil enfrentou um dos maiores apagões de sua história, afetando cerca de 29 milhões de brasileiros em quase todo o país. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) anunciou nesta terça-feira (26/09/2023) que a principal causa desse apagão foi uma falha no desempenho dos equipamentos de parques eólicos e solares, localizados nas proximidades da linha de transmissão Quixadá – Fortaleza II, no Ceará.
De acordo com o relatório divulgado pelo ONS, os equipamentos responsáveis pelo controle de tensão operaram abaixo do ideal, resultando em uma sobrecarga no sistema elétrico. O documento alega que “a análise da perturbação permitiu constatar que o desempenho dos controles em campo, de usinas eólicas e solares, em especial no que tange à capacidade de suporte dinâmico de potência reativa, foi muito aquém dos modelos matemáticos fornecidos pelos agentes e representados na base de dados oficial de transitórios eletromecânicos.”
Uma das questões cruciais destacadas no relatório foi a discrepância entre o desempenho dos equipamentos e as simulações, o que tornou impossível ao ONS identificar os riscos relacionados ao cenário operativo pré-distúrbio, levando à queda de energia que afetou milhões de brasileiros.
O Relatório de Análise de Perturbação (RAP) foi divulgado pelo ONS com o objetivo de permitir que os agentes do sistema elétrico se manifestem e forneçam seus próprios insights sobre o incidente. O relatório final será concluído até o dia 17 de outubro, após a avaliação das contribuições dos especialistas e partes interessadas.
Para relembrar o caso, o apagão de agosto afetou 25 estados e o Distrito Federal. A interrupção teve início às 8h30 da manhã daquele dia, resultando na queda no fornecimento de 19 mil megawatts, o que correspondia a cerca de 27% da carga total de 73 mil megawatts no horário. Enquanto nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste o serviço foi restabelecido quase que integralmente em menos de uma hora, no Nordeste, a recuperação demorou três horas para restabelecer apenas 70% da carga afetada. A Região Norte foi a mais impactada, com a recuperação da carga levando cerca de sete horas.
*Com informações da Agência Brasil.








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