A Comissão Independente de Inquérito da Síria divulgou seu mais recente relatório sobre a situação no país árabe nesta terça-feira (12/09/2023), marcando 12 anos de conflito contínuo. O documento será apresentado e debatido no Conselho de Direitos Humanos em 22 de setembro.
O presidente da Comissão, Paulo Pinheiro, expressou profunda preocupação com o desamparo da população síria. Em uma entrevista à ONU News, realizada em Genebra, ele enfatizou que os interesses genuínos e as necessidades da população síria foram negligenciados durante todos esses anos de guerra. Muitas partes envolvidas no conflito parecem priorizar suas próprias agendas, resultando no agravamento constante da situação.
Pinheiro ressaltou que a situação econômica no país é “extremamente grave”, com cerca de 90% da população vivendo abaixo da linha de pobreza. Ele enfatizou a necessidade de revisar as sanções econômicas impostas à Síria, observando que essas medidas tendem a afetar a população em geral, em vez das elites governantes.
O presidente da Comissão de Inquérito também mencionou os protestos em várias partes da Síria, que, em grande parte, têm motivações econômicas e sociais. Ele destacou que a população civil está completamente desamparada e desprotegida, apesar dos apelos da Comissão por um cessar-fogo, que não foram respeitados pelas partes em conflito após os terremotos que atingiram o país no início do ano.
Pinheiro enfatizou a importância de abrir canais diplomáticos para buscar uma solução para a crise. Ele reconheceu que a reintegração da Síria como membro da Liga dos Estados Árabes não deve criar ilusões de normalidade, mas ressaltou que, na diplomacia, qualquer abertura de diálogo é positiva. O especialista expressou a esperança de que as questões de direitos humanos e a proteção dos direitos econômicos e civis sejam consideradas no processo de reintegração da Síria à Liga dos Estados Árabes.
*Com informações da ONU News.








Deixe um comentário