O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma reunião bilateral com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, durante a 18ª Cúpula de chefes de Estado e de governo do G20, que está ocorrendo em Nova Delhi, na Índia. O encontro, que aconteceu no início da tarde deste sábado, 9 de setembro, marcou uma busca por uma maior cooperação entre Brasil e Turquia e a exploração de oportunidades de ampliação das relações comerciais.
Lula começou a reunião expressando seu reconhecimento pela vitória de Erdogan nas eleições realizadas em maio. Ele afirmou seu desejo de fortalecer a coordenação de posições com a Turquia em fóruns internacionais e destacou a intenção de reativar a Parceria Estratégica entre os dois países, principalmente na área de Defesa. O comércio bilateral, que atingiu o recorde de US$ 4,9 bilhões em 2022, foi um dos temas centrais da discussão.
Uma das possibilidades discutidas para a expansão das relações comerciais é o mercado de aviação. A Turkish Airlines é uma das principais empresas do setor no mundo, e o presidente Lula enfatizou que o Brasil está disposto a facilitar conversações entre a Embraer e a Turkish Airlines em relação a possíveis novas aquisições planejadas pela empresa turca.
Além das questões econômicas, Lula expressou seu pesar pelo forte terremoto que atingiu a Turquia e a Síria em fevereiro, causando cerca de 50 mil mortes. O governo brasileiro enviou uma equipe de especialistas para auxiliar nos esforços de busca por sobreviventes, e essa equipe foi posteriormente condecorada por Erdogan em reconhecimento ao apoio prestado.
Lula também elogiou os esforços do governo turco para mediar o conflito entre Rússia e Ucrânia, que resultou em acordos concretos, incluindo a troca de prisioneiros entre os dois lados. O presidente brasileiro assegurou que o Brasil está disposto a contribuir com propostas reais de diálogo e ofereceu apoio à retomada do acordo de grãos, visando garantir a segurança alimentar para mais nações. Ele ressaltou que os obstáculos ao comércio de fertilizantes, decorrentes da guerra, afetam especialmente os países mais pobres.
Durante a reunião, Lula adiantou a Erdogan que o Brasil dará ênfase à inclusão social e ao combate à fome, à pobreza e à desigualdade enquanto estiver à frente da Presidência do G20. Ele argumentou que o grupo não pode focar apenas na guerra entre Rússia e Ucrânia, pois existem outras crises globais, como a fome, a pobreza extrema e os desafios climáticos, que demandam atenção imediata.
As relações diplomáticas entre o Brasil e a Turquia têm raízes históricas, com o Tratado Bilateral de Amizade e Comércio assinado em 1858. No século 21, houve uma aproximação ainda mais significativa, com a visita do então primeiro-ministro Erdogan ao Brasil para assinar o plano de ação para a Parceria Estratégica entre os dois países. Ambos colaboram para fortalecer suas posições em órgãos internacionais, como a ONU, o G20 e o FMI.










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