Ação de facções no Rio de Janeiro é ameaça à autoridade do Estado, diz secretário

O secretário executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Cappelli, descreveu a situação no Rio de Janeiro como “muito grave” ao analisar os ataques criminosos que ocorreram na segunda-feira (23/10/2023) na zona oeste da cidade. Os ataques incluíram a queima de 35 ônibus e o incêndio de uma cabine de trem que partia de Santa Cruz, resultando no fechamento temporário de seis estações e causando tumulto no setor de transporte.

Esses atos violentos surgiram em represália à morte do miliciano Matheus da Silva Rezende, conhecido como Faustão, durante uma operação policial. Faustão era considerado o número 2 de uma das milícias atuantes na capital.

Para Cappelli, a situação é muito séria, com facções criminosas desafiando o Estado Democrático de Direito e paralisando parte da cidade, inclusive incendiando o transporte público. O secretário classificou essas ações como uma “clara ameaça à autoridade do Estado” e “inaceitável”.

Atualmente, Cappelli está participando do 17º Encontro Nacional de Repressão a Drogas, Armas, Crimes contra o Patrimônio e Facções Criminosas (Siren), no Hotel Vila Galé, no centro do Rio de Janeiro. O evento reúne policiais federais de todo o país, representantes das Forças Armadas e do setor de segurança de embaixadas.

Cappelli afirmou que uma reunião na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro está agendada para avaliar o desempenho das forças federais de segurança durante a primeira semana de atuação no estado. Ele destacou que, apesar dos ataques recentes, ainda é cedo para revisar o planejamento em andamento e que a primeira reunião de monitoramento acontecerá na tarde deste dia.

O reforço na inteligência da Polícia Federal é uma das medidas em andamento para combater o crime organizado no Rio de Janeiro. Cappelli explicou que estão sendo deslocados analistas experientes da Polícia Federal para atuar no estado, com foco em desmantelar essas organizações criminosas. A busca inclui o bloqueio de ativos e apreensão de armas.

Além disso, a transferência de presos envolvidos em atos violentos para presídios federais foi acertada entre o governo estadual e o Ministério da Justiça, sem limitações quanto ao número de transferências.

Sobre a possibilidade de uma intervenção federal na segurança pública, Cappelli destacou que a aposta no momento é no Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e no fortalecimento das relações entre as entidades estaduais e federais. O secretário ressaltou a importância de cada estado cumprir seu papel e manter o policiamento ostensivo, conforme prevê a Constituição.

*Com informações da Agência Brasil.


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