Uma operação comercial em moedas locais, com transações completamente financiadas e liquidadas, marcou um momento histórico nas relações comerciais entre Brasil e China. O Banco da China Brasil SA informou que essa operação pioneira ocorreu entre agosto e setembro, envolvendo uma exportação de celulose da Eldorado Brasil, uma empresa com sede em São Paulo e representação em Xangai. A mercadoria foi enviada do porto de Santos, em agosto, para o porto de Qingdao. As transações financeiras que se seguiram culminaram na liquidação em moeda brasileira em 28 de setembro de 2023, conforme relatado pela Folha de São Paulo.
A repercussão dessa operação não ficou restrita aos bastidores comerciais, alcançando ampla visibilidade na China, incluindo a rede de televisão CCTV e a plataforma de mídia social Weibo. Além disso, gerou manchetes na imprensa de Cingapura e Taiwan. Esse feito inédito foi considerado um “marco na história do comércio sino-brasileiro” e pode abrir caminho para mais empresas seguirem o exemplo.
O comentarista da CGTN, um canal de notícias em inglês vinculado à CCTV, Shen Shiwei, elogiou a operação, considerando-a uma “boa notícia para o mundo multipolar”, destacando a crescente tendência de desdolarização da economia global. Grandes exportadores brasileiros, como a Suzano e a Petrobras, também estão explorando a possibilidade de conduzir negociações em moeda local com a China, uma demanda manifestada pelos próprios importadores chineses.
Em abril, durante uma visita a Xangai e sua participação na posse oficial de Dilma Rousseff no Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco do BRICS, o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a utilização de moedas locais nas transações comerciais. Ele questionou por que as nações não poderiam realizar seu comércio usando suas próprias moedas, em vez de dependerem do dólar, e destacou a importância de uma moeda que reduza a dependência dos Estados Unidos nas relações econômicas globais.
A desdolarização da economia mundial ganha ímpeto à medida que os países buscam maior autonomia em suas transações comerciais, procurando reduzir a dependência da moeda norte-americana na agenda econômica internacional.
*Com informações da Sputnik News.








Deixe um comentário