Os confrontos recentes na fronteira entre Israel e Líbano têm elevado as preocupações de uma possível propagação do conflito no Oriente Médio. Os Estados Unidos e seus aliados ocidentais alertam sobre a crescente tensão, temendo que o grupo Hezbollah, financiado pelo Irã, entre no confronto. Em resposta a essas preocupações, os EUA posicionaram dois porta-aviões no Mediterrâneo Oriental. No entanto, logo após um ataque do Hamas em território israelense, um primeiro confronto na fronteira entre o Líbano e Israel ocorreu.
Desde a tentativa de infiltração de um comando da Jihad Islâmica Palestina do sul do Líbano em Israel, em 9 de outubro de 2023, os combates entre o Hezbollah e o Exército israelense têm se intensificado. Inicialmente limitados a certos pontos, agora se estendem por toda a fronteira. Artilharia, tanques, drones e helicópteros são usados nos confrontos, causando a morte de pelo menos 15 membros do Hezbollah.
Apesar da escalada da violência, ainda não se trata de uma guerra oficial. Israel e o Hezbollah tentam respeitar as regras de cessar-fogo em vigor desde 2006, após a guerra de 30 dias entre os dois países. No domingo (16), Israel afirmou que não deseja uma guerra na fronteira com o Líbano, e os combates, embora violentos, permanecem confinados à região da fronteira, com os envolvidos evitando atacar áreas residenciais.
Silêncio do líder do Hezbollah
Hassan Nasrallah, secretário-geral do Hezbollah, que costuma fazer pronunciamentos em momentos de crises mais sérias, permaneceu em silêncio até o momento. Analistas especializados no conflito oferecem duas possíveis explicações para esse silêncio preocupante. A primeira é que o grupo e, por consequência, o Irã, ainda não tomaram uma decisão definitiva sobre como agir diante da crise. A segunda explicação é que Nasrallah, mestre na guerra psicológica, mantém o silêncio deliberadamente para manter a incerteza sobre suas intenções, possivelmente surpreendendo os israelenses ou criando espaço para os iranianos em negociações indiretas.
Libaneses divididos
O envolvimento do Líbano nos confrontos gera divisões profundas entre a população. Parte dos libaneses expressa apoio ao Hezbollah e se manifesta nas ruas em prol de Hassan Nasrallah, enquanto outra parte teme os efeitos de uma guerra devastadora, especialmente em um momento de grave crise econômica no país. A preocupação com a falta de recursos, a indiferença da comunidade internacional e dos países árabes tornaria impossível a reconstrução do Líbano em caso de conflito. Países ocidentais alertam que uma guerra não serviria aos interesses do Líbano, que deve permanecer à margem do conflito atual.
Entretanto, as autoridades libanesas enfrentam uma impotência crescente, com o primeiro-ministro Najib Mikati afirmando que o governo não tem poder de decisão sobre guerra ou paz.
*Com informações da RFI.








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