Enfrentando um momento excepcional de insegurança, uma crise política sem precedentes e uma delicada situação econômica, cerca de 13 milhões de eleitores equatorianos vão às urnas neste domingo (15/10/2023), para escolher o próximo líder do país. Em um processo eleitoral marcado por violência e tensões políticas, os candidatos da corrida refletem uma polarização notável: de um lado, o correísmo, representando o legado do ex-presidente Rafael Correa; de outro, o anticorreísmo, que se opõe a essa herança.
As eleições ocorrem em meio a um ambiente de insegurança e instabilidade política, agravado pelo assassinato de um dos candidatos, Fernando Villavicencio, em agosto deste ano. No primeiro turno, realizado em agosto, os candidatos que emergiram como vencedores foram a representante do movimento Revolução Cidadã, Luisa González, e o representante da aliança ADN, Daniel Noboa. González pode se tornar a primeira mulher a liderar o país, enquanto Noboa, com 34 anos, seria o presidente mais jovem da história equatoriana.
Ambos os candidatos apresentam propostas de governo significativamente distintas. Luisa González, herdeira política do ex-presidente Rafael Correa, foca em justiça social e segurança, enquanto Daniel Noboa, filho de um dos empresários mais ricos do país, abraça premissas neoliberais e promove a privatização de serviços como saúde e educação.
No entanto, qualquer que seja o vencedor, enfrentará uma série de desafios consideráveis. O país vive uma crise econômica, com um déficit fiscal esperado para chegar a US$ 5 bilhões até o final do ano. Além disso, a pobreza extrema afeta cerca de 10% da população equatoriana, e a violência crescente é uma preocupação alarmante. Em 2023, o Equador já registrou mais de 5.300 crimes violentos, transformando o que já foi considerado um dos países mais seguros da América Latina em um dos mais violentos da região.
Especialistas também apontam para a proximidade geográfica do Equador com regiões influenciadas pelo narcotráfico, o que contribui para o aumento da violência e da criminalidade. A fragmentação do Estado, que começou em 2017 com a extinção de ministérios e cortes no orçamento da segurança, agravou ainda mais os problemas.
As tentativas de vincular o ex-presidente Rafael Correa e a candidata Luisa González ao assassinato do candidato Villavicencio marcaram uma campanha eleitoral suja e tumultuada. Isso prejudicou a candidatura de González, que havia liderado as pesquisas até sofrer uma queda de dez pontos nas intenções de voto em 24 horas.
Além dessas questões, o próximo presidente equatoriano também lidará com a descrença na política e um ambiente de polarização ideológica que desvia o foco dos debates em direção a concepções de mundo e ideologias, em vez de discutir propostas de governo estruturais.
*Com informações da Sputnik News.
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