Engajada em causas sociais voltadas para as mulheres de Feira de Santana, a orientadora social Cristiana Brito irradia felicidade e uma energia contagiante a todos que a cercam. No entanto, por trás desse brilhante sorriso, reside uma história de superação que serve de inspiração para tantas outras mulheres. Cristiana, conhecida como Cris, enfrentou e sobreviveu a um relacionamento abusivo, um período obscuro de sua vida no qual a dança sustentava tanto a ela quanto ao seu filho.
Ela relembra: “Para mim, a violência psicológica não existia. Aquele comportamento era normal. Eu não compreendia gritos, murros na parede ou ameaças como violência. Não via a destruição de meu celular como violência patrimonial. Hoje, tenho essa consciência.”
No desenrolar dos últimos três meses desse relacionamento, a situação piorou dramaticamente. Cris viveu momentos aterrorizantes de cárcere privado, sujeita a agressões físicas e ameaças constantes de morte. A oportunidade de denunciar seu agressor surgiu graças à ajuda de uma comadre que se fez passar por empregada. Como condição para sua liberdade, ela foi obrigada a tatuar o nome do agressor.
Desde 2015, quando fez a denúncia, Cristiana tem sido apoiada pela rede de proteção à mulher, que inclui a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SMPM). Nesse período, foi estabelecida uma medida protetiva que impede a aproximação do agressor, visando a sua segurança. Durante esse processo, ela encontrou forças para focar em sua própria recuperação.
Cristiana destaca o papel do Centro de Referência Maria Quitéria (CRMQ) como uma parte fundamental de sua jornada de superação. Lá, se envolveu em diversas atividades, incluindo trabalhos acadêmicos, entrevistas, convites para faculdades e clínicas. Essas atividades não apenas a ajudaram a avançar, mas também serviram como uma forma terapêutica de lidar com sua experiência traumática.
Josailma Ferreira, chefe da Divisão de Promoção dos Direitos da Mulher da SMPM, enfatiza que a dificuldade de reconhecer a violência psicológica muitas vezes se deve à interpretação errônea do cuidado. O isolamento social e o controle excessivo por parte do parceiro frequentemente levam as mulheres a acreditar que estão sendo protegidas, quando na verdade estão presas em relacionamentos abusivos.
Ela adverte: “A romantização de situações em que o parceiro afirma estar protegendo e amando demais mina a mente da mulher. Isso é, na realidade, violência psicológica.”
Muitas vezes, as mulheres só percebem que estão vivenciando esse tipo de violência quando a situação atinge um extremo. E é por isso que histórias como a de Cristiana, que superou um relacionamento abusivo e agora inspira outras mulheres, são tão importantes.
Hoje, Cristiana Brito é uma voz valiosa na luta contra a violência doméstica, encorajando outras mulheres a denunciar casos de abuso. A Prefeitura de Feira de Santana oferece várias opções para denunciar violência contra a mulher, incluindo os números 190, 180 ou 156. Caso prefira fazer uma denúncia pessoalmente, é possível recorrer à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) ou à sede da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres.
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