Um ataque sem precedentes do Hamas provocou uma resposta contundente de Israel, com um anúncio de “cerco total” a Gaza, gerando preocupações sobre as consequências desse conflito. O professor de Relações Internacionais Ivo Sobral alerta que essa crise em Gaza tem o potencial de desencadear uma grande turbulência em toda a região do Oriente Médio.
Nos últimos dias, ambos os lados do conflito registraram perdas humanas significativas, com estimativas apontando para a morte de 1.100 pessoas desde o início dos ataques. As autoridades israelenses informam que mais de 700 pessoas perderam a vida em Israel, incluindo as 250 vítimas do ataque em uma festa de música próxima à Faixa de Gaza. Enquanto isso, as autoridades palestinas relatam 493 mortes entre os palestinos. Essa situação é considerada sem precedentes na história de Israel, sendo comparável apenas à primeira guerra israelo-árabe de 1948.
O conflito começou quando o Hamas lançou um ataque surpresa ao território israelense, utilizando mísseis e realizando incursões por terra, mar e ar. Em resposta, Israel respondeu com ataques aéreos à Faixa de Gaza e anunciou o “cerco total” ao enclave, privando-o de eletricidade, comida e combustível.
Além disso, o governo israelense convocou um número recorde de 300 mil reservistas para uma ofensiva em larga escala. O objetivo é “destruir o máximo possível da infraestrutura e comando do Hamas” e, ao mesmo tempo, “tentar resgatar os israelenses que foram feitos reféns.”
Ivo Sobral, especialista em Relações Internacionais, aponta para a possível disseminação do conflito, observando que “o risco de uma espiral de violência que possa atingir o resto do Oriente Médio é muito grande neste momento.” Ele também destaca a dimensão geopolítica do conflito, especialmente no que diz respeito à relação entre Israel e a Arábia Saudita.
“A questão palestino-israelense é um dos conflitos mais internacionalizados do mundo”, observa Sobral, acrescentando que o recente ataque do Hamas coincide com a aproximação entre Israel e a Arábia Saudita, que agora pode ser impossível de manter. Ele também questiona o papel do Irã, um importante apoiador do Hamas, em meio a essa escalada de tensões e mudanças geopolíticas.
*Com informações da RFI.








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