Marinha do Brasil inaugura construção do Navio Polar Almirante Saldanha; Embarcação é marco na pesquisa científica da Antártica

Nests terça-feira (17/10/2023), a Marinha do Brasil comemorou um marco significativo no avanço das capacidades de pesquisa científica antártica do país. Em uma cerimônia realizada em Aracruz (ES), a Marinha deu início à construção do primeiro navio polar inteiramente construído no Brasil, o Almirante Saldanha. Com um investimento aproximado de 692 milhões de reais, a embarcação está programada para operar a partir de outubro de 2025 e substituirá uma das duas embarcações desse tipo em atividade atualmente. Equipado com tecnologia quebra-gelo de ponta, o navio promete melhorar significativamente as missões de exploração e pesquisa científica brasileira na Antártida.

O contra-almirante André Novis Montenegro, coordenador de Implantação de Programas da Marinha, destaca que o Almirante Saldanha terá a capacidade de quebrar camadas glaciais com até um metro de espessura, proporcionando manobras mais eficientes, maior eficiência no consumo de combustível e agilidade nas operações de carga e descarga de equipamentos em missões antárticas. Além disso, o navio transportará dois helicópteros AirBus-25 recém-adquiridos pelas Forças Armadas, com uma capacidade de carga de aproximadamente uma tonelada e meia cada e uma autonomia de voo superior a 600 quilômetros.

A construção do Almirante Saldanha representa um compromisso do governo com o Programa Antártico Brasileiro (Proantar), um projeto de mais de quatro décadas que fortalece a presença do Brasil no Tratado da Antártida, proporcionando o status de membro com poder de veto. Além disso, o Proantar viabiliza pesquisas científicas nacionais no continente antártico e fornece apoio logístico para atividades conduzidas pelo governo na região, incluindo navios, helicópteros, médicos e mergulhadores.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) ressalta a importância das pesquisas realizadas na Antártida para prever eventos climáticos extremos no Brasil. De acordo com Andrea Cruz-Kaled, coordenadora de Mar e Antártica do MCTI, as pesquisas brasileiras demonstram que os fenômenos na Antártida têm um impacto direto nas chuvas na Amazônia e nas correntes marítimas que afetam os recursos do litoral brasileiro.

Além de contribuir para a compreensão dos padrões climáticos globais, a pesquisa na Antártida também pode levar a descobertas importantes para a medicina e agricultura. A diversidade da comunidade biológica do continente gelado abriga substâncias com potencial para uso em pesticidas naturais, filtros solares e muito mais. As pesquisas em andamento prometem abrir novas portas para a ciência e inovação brasileira.


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