As marinas de Salvador da Bahia e o transporte náutico | Por Juarez Duarte Bomfim

Vista aérea de Salvador.
Vista aérea de Salvador.

Salvador foi fundada em 1549 como cidade portuária – dentre outras funções. A Rainha do Atlantico Sul, por mais de 3 séculos. Principal porto na triangulação marítima das naus portuguesas no comércio entre Europa – América e África, extendendo o seu alcance a Índia, China e Japão.

No Brasil, a navegação marítima continuou importante por muito tempo, até o desenvolvimento do rodoviarismo e do transporte aéreo. Antes disso, Dorival Caymmi abria seu vozeirão e cantava:

“ Peguei um Ita no Norte / E vim pro Rio morar / Adeus meu pai, minha mãe / Adeus Belém do Pará”.

Todavia, a navegação marítima continua regionalmente importante até os anos 1970, com o transporte de gente e mercadorias do Recôncavo baiano para a Capital. Mais de 2.000 saveiros singravam diariamente a Baía de Todos os Santos trazendo víveres para abastecer a Feira de Água de Meninos e, depois, a Feira de São Joaquim. Retornavam a Santo Amaro da Purificação, Cachoeira, Maragogipe… com material de construção e outras úteis mercadorias.

Chegamos a 2023: ainda sem a (Im)provável ponte Salvador-Itaparica, o transporte marítimo para a Ilha e o Baixo Sul se faz predominantemente pelo Ferry Boat e as lanchas Salvador- Mar Grande – Salvador. E o catamarã para Morro de São Paulo (Valença).

(Também há, com interrupções periódicas, o transporte de lancha entre a Ribeira e Plataforma).

Desde os 1980 que administrações municipais planejam… isto é, intencionam, desenvolver um transporte coletivo através de pequenas lanchas dentro da Cidade do Salvador, melhorando a mobilidade urbana.

Alguns portos de atracação que poderiam ser construídos: Porto dos Tainheiros (Ribeira), Porto da Lenha (Baixa do Bomfim), Ponta de Humaitá (Mont Serrat), Praia do Cantagalo (Bairro dos Mares), Terminal Marítimo do Comércio (Cidade Baixa) e Porto da Barra. Aproveitando as tranquilas águas da Baía de Todos os Santos, própria para pequena navegação.

Ao longo destas décadas, só se criou infraestrutura portuária na Ponta de Humaitá, de quando em quando renovada. Nada mais foi feito. No Terminal Marítimo do Comércio precisaria ser realizada uma pequena adaptação, para o aumento de demanda de atracagem de pequenas embarcações.

O desenvolvimento do transporte náutico nestes pontos, principalmente Ribeira – Humaitá – Comércio – Porto da Barra, seria benéfico para a atividade turística de Salvador.

Seria também um resgate cultural da memória marítima da Baía de Todos os Santos, a Kirimurê dos canoeiros tupinambás, a pesca da baleia em séculos passados, a mítica criada na literatura praieira de Jorge amado. Livia e Guma (Mar Morto) penhoradamente agradeceriam. Assim como os capitães de areia.

“Andar por andar andei… e todo caminho deu no mar” (Dorival Caymmi, cantor das graças da Bahia).

*Juarez Duarte Bomfim, sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

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Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: juarezbomfim@uol.com.br.

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