COP28: Dependente do carvão, África do Sul ilustra desafio da transição energética em países emergentes

Apesar de possuir vasta disponibilidade de sol e vento durante todo o ano, a África do Sul enfrenta um dilema energético marcado pela dependência do carvão, ilustrando os desafios da transição para uma economia de baixo carbono. Responsável por mais de 80% do mix energético do país, o colapso das antigas usinas a carvão, combinado com infraestruturas inadequadas, tem gerado apagões frequentes, motivando a busca por fontes renováveis.

O fenômeno dos “load sheddings”, apagões programados pela companhia nacional Eskom, tornou-se uma rotina diária para muitos sul-africanos, incluindo Marília, residente em Joanesburgo. A crescente demanda por geradores a diesel deu lugar à procura por soluções autossuficientes, como painéis solares. Marília compartilha que, em sua casa, os painéis fotovoltaicos garantem energia durante os apagões, tornando-se uma alternativa cada vez mais comum entre aqueles que podem arcar com os custos.

No entanto, a realidade da transição energética não atinge a todos de maneira igual. Enquanto alguns investem em soluções renováveis, bairros como Soweto, a cerca de 50 quilômetros de Joanesburgo, ainda enfrentam desafios de acesso à energia solar. A desigualdade na distribuição energética, que remonta ao apartheid, persiste, com áreas mais pobres sendo mais impactadas por apagões em comparação com bairros mais ricos.

O geólogo Clyde Mallinson destaca o potencial da África do Sul para se tornar líder em energia verde, especialmente com o hidrogênio verde. Ele ressalta que a transição para as energias renováveis não é apenas uma economia, mas também uma oportunidade de reduzir a desigualdade. A análise do Banco Mundial confirma o potencial único do país na geração de energia solar.

Enquanto empresas, shoppings e universidades adotam cada vez mais soluções renováveis, a crise energética sul-africana afeta a confiança dos investidores e impacta a economia. Ainda há obstáculos, como a intermitência das energias solar e eólica, além dos altos custos das baterias. No entanto, especialistas acreditam que, a longo prazo, a transição energética não só reduzirá os custos da eletricidade pela metade, mas também poderá tirar milhões de pessoas da pobreza energética.

*Com informações da RFI.


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