Desigualdade persistente: Riqueza de 105 indivíduos representa quase 9% do PIB da América Latina, alerta CEPAL

Publicado nesta quinta-feira (23/11/2023), o relatório anual da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) revela uma persistente disparidade econômica na região. A riqueza detida por apenas 105 indivíduos representou quase 9% do PIB em 2021, enquanto mais de 180 milhões de pessoas enfrentam dificuldades para atender às suas necessidades básicas.

De acordo com o “Panorama Social da América Latina e do Caribe 2023”, mais de 70 milhões de pessoas na região não possuem renda suficiente para adquirir uma cesta básica de alimentos. O documento destaca que, embora a pobreza tenha diminuído em 2022, cerca de 29% da população (181 milhões de pessoas) ainda vive em situação de pobreza.

O relatório também aponta que a criação de empregos atingiu seu ponto mais baixo desde a década de 1950, com uma queda de 8,2% durante a pandemia em 2020, representando a única diminuição registrada nos últimos 70 anos. Entre os 292 milhões de ocupados na região, metade está em empregos informais, evidenciando uma crise de inclusão laboral.

José Manuel Salazar-Xirinachs, principal autoridade da CEPAL, ressalta que, embora a desigualdade de renda tenha diminuído em 2022, permanece alta. O decil de renda mais alto recebe 21 vezes mais do que o decil mais baixo. A região enfrenta um desafio duplo de baixo crescimento e altos níveis de pobreza e desigualdade, destacando a necessidade de uma transição da inserção laboral para a inclusão laboral.

O relatório ainda aborda lacunas de gênero persistentes nos mercados de trabalho, destacando que as mulheres enfrentam maiores taxas de desemprego e são prejudicadas pela carga de trabalho de cuidados. Além disso, a presença de migrantes no mercado de trabalho contribui para a economia, mas enfrenta obstáculos devido às condições precárias e instáveis de trabalho.

O estudo conclui enfatizando a importância de manter o crescimento do gasto público social para garantir a sustentabilidade financeira das políticas de inclusão laboral.


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