Dia de Solidariedade ao Povo Palestino: como o Brasil tem se posicionado sobre a causa?

A visita do presidente Lula em 2010, inaugurando a Embaixada brasileira em Ramallah, simboliza o reconhecimento do Estado palestino.

Em meio ao conflito mais intenso das últimas décadas no Oriente Médio, o Dia de Solidariedade ao Povo Palestino, criado pela ONU em 1977, ganha relevância global. No Brasil, manifestações de Norte a Sul marcam a data. O país, historicamente, posiciona-se pela concretização de dois Estados na região, reconhecendo o direito de autodeterminação tanto dos palestinos quanto dos judeus.

A pesquisadora do Instituto de Relações Internacionais da USP, Karina Calandrin, destaca que o Brasil sempre defendeu a coexistência de dois Estados na região. Mesmo com divergências em momentos específicos, a posição firme pela defesa de dois Estados permaneceu uma constante na política externa brasileira. O ano de 2010 foi marcado pela visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Israel e à Cisjordânia, reforçando a diplomacia brasileira na questão.

Durante sua visita, Lula inaugurou a primeira Embaixada brasileira em Ramallah, sinalizando o reconhecimento do Estado palestino. Entretanto, propostas de mediação de paz entre Israel e o Hamas não se consolidaram, evidenciando a limitação do Brasil como mediador externo. Incidentes diplomáticos, como o boicote do chanceler israelense Avigdor Lieberman ao discurso de Lula, ressaltam as complexidades ideológicas envolvidas na questão Israel-Palestina.

A mudança proposta da Embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, seguindo a iniciativa dos EUA, reflete alianças estratégicas do governo Bolsonaro. Entretanto, a medida não se concretizou, possivelmente devido a preocupações econômicas, uma vez que o Brasil é um grande exportador de carne halal para países árabes e muçulmanos.

No atual cenário de guerra, com o Hamas atacando Israel, o Brasil mantém a linha histórica, apesar de declarações do presidente Bolsonaro mais inclinadas à questão palestina, em razão do elevado número de mortos em Gaza e das suspeitas de crimes de guerra cometidos por Israel.

*Com informações da Sputnik News.


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