O conflito entre Israel e o grupo palestino Hamas trouxe à tona uma dicotomia notável nos parâmetros usados pelos países ocidentais ao avaliar eventos no Oriente Médio e na Ucrânia. Especialistas destacam que as medidas de Israel em Gaza, especificamente no que diz respeito à violação do direito internacional, têm recebido reações menos contundentes em comparação com as ações russas na Ucrânia.
O presidente russo, Vladimir Putin, recentemente questionou a falta de choque mundial diante das declarações do secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre Gaza ser um “enorme cemitério infantil”. O doutor Humberto Morales, especialista em relações Rússia-México, ressalta que, embora o ataque terrorista do Hamas contra Israel tenha iniciado o conflito, a resposta israelense resultou em uma situação inaceitável de mortes de civis em Gaza, conforme avaliado pelas Nações Unidas.
O especialista aponta uma aparente “anátema do Ocidente em relação à Rússia”, destacando a acusação injusta de grandes agressões contra a população civil durante a crise ucraniana. Em contraste, a postura de Washington e alguns países ocidentais em relação à crise em Gaza revela uma “moral desorientada”, segundo o professor Carlos Manuel López Alvarado, especialista em Relações Internacionais.
López Alvarado critica a moral ocidental como construída e distorcida, motivada por interesses políticos e conveniência. Ele destaca a continuidade do conflito no Oriente Médio desde 1947 e sugere que a máquina de propaganda e diplomacia do Ocidente está empenhada em medir e falar de maneiras diferentes sobre esses conflitos, em parte para proteger seu projeto civilizacional.
O acadêmico da Universidade Autônoma de Puebla, Humberto Morales, destaca a guerra energética por trás da posição do Ocidente, visando garantir o fornecimento de energia à Europa e torná-la menos dependente da Rússia. Ele enfatiza a importância estratégica do controle do gás em Gaza para a autonomia energética da Europa e do Oriente Médio.
Contudo, Morales ressalta a delicada posição dos Estados Unidos, que, mesmo quando aliados violam o direito humanitário internacional, precisam justificar suas ações. O conflito em Gaza, portanto, revela não apenas disparidades na abordagem ocidental, mas também os complexos interesses geopolíticos em jogo.
*Com informações da Sputnik News.








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