Puro, com manteiga, molhado no leite ou recheado, o beiju é uma iguaria que transcende o paladar para se tornar parte da cultura e economia de Feira de Santana. Em diferentes cantos da cidade, seja na zona rural, em povoados ou na sede do município, a produção artesanal de beiju se destaca como fonte de renda para muitas famílias, uma tradição que atravessa gerações.
No povoado Candeal II, do distrito da Matinha, a casa de farinha de Martiniano Fonseca, conhecido como Seu Paçoca, é um cenário de atividade incessante. Desde as primeiras luzes do dia, a família se dedica a cada etapa da produção do beiju, desde a colheita da mandioca até o delicado processo de assar a iguaria. Paçoca, aos 67 anos, relata com orgulho:
“Há 31 anos faço beiju. Comecei vendendo aos pouquinhos na feirinha da Cidade Nova. De cinco pacotes, passamos a vender 10. E aí foi aumentando.”
A tradição também se mantém viva na Santa Mônica II, próxima à avenida Noide Cerqueira. Dona Eunice Pires, aos 68 anos, conduz a casa de farinha com maestria, mantendo uma tradição que soma 47 anos.
“Meu prazer é acordar pela manhã, me arrumar e vir trabalhar”, compartilha dona Eunice.
Sua produção abastece mercados, delicatessens e a clientela que busca a autenticidade do beiju diretamente da fonte.
Além dos produtores individuais, vendedores como Leide Silva, que há oito anos comercializa beiju na praça Bernardino Bahia, e Maicon Conceição, herdeiro da profissão materna, trazem a tradição das feiras livres para o cotidiano da cidade.
O beiju feirense não é apenas um alimento, mas um elo entre gerações, uma expressão cultural que transcende o ato de comer. A Prefeitura, reconhecendo a importância desse patrimônio, disponibiliza casas de farinha comunitárias em diferentes localidades, mantendo viva a tradição e proporcionando melhorias para os trabalhadores do campo.








Deixe um comentário