Uma recente descoberta no Sul da Bahia está encantando a comunidade científica e, ao mesmo tempo, prestando uma homenagem única à capoeira. Pesquisadores do Laboratório de Herpetologia Tropical da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) identificaram e batizaram uma nova espécie de pererequinha-de-bromélia, nomeando-a Phyllodytes iuna. O termo “iuna” foi escolhido em reverência à capoeira, sendo o toque de “Iúna” tradicionalmente executado para graduados na roda de capoeira regional.
A Phyllodytes iuna é a quinta espécie do grupo Phyllodytes descrita pela equipe em uma década de pesquisa na região. O professor Iuri Ribeiro Dias, capoeirista e membro da equipe, expressa sua longa vontade de homenagear a expressão cultural afro-brasileira na nomenclatura de uma espécie. Essa descoberta destaca não apenas a riqueza da biodiversidade local, mas também a conexão entre a ciência e a cultura.
Historicamente, anfíbios desse grupo eram pouco documentados, mas o avanço da pesquisa revela sua importância ecológica. As pererequinhas-de-bromélia passam toda a vida em bromélias, contribuindo para o ecossistema ao se alimentarem de larvas de mosquito, atuando como agentes de controle natural contra doenças como dengue, zika e chikungunya.
A pesquisa, financiada pelo Programa PROTAX do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, resultou na publicação de um artigo na revista especializada Zootaxa, destacando não apenas a descoberta da Phyllodytes iuna, mas também a importância da preservação dessas espécies para a saúde humana.
O professor Mirco Solé, do Departamento de Ciências Biológicas da UESC, enfatiza a peculiaridade das pererequinhas-de-bromélia:
“Elas passam todo o seu ciclo de vida em bromélias. Lá elas depositam ovos, nascem e crescem os girinos e depois cantam os adultos. Os girinos prestam um serviço ecossistêmico importante: eles se alimentam de larvas de mosquito que são potenciais transmissores de doenças. Protegendo as pererequinhas-de-bromélias, estaremos também protegendo a nossa própria saúde”.
Embora a Phyllodytes iuna já tenha sido registrada em 2015, sua descrição formal só foi possível após a coleta de exemplares adicionais em 2018. A equipe acredita que há ainda mais descobertas a serem feitas, estimando a existência de pelo menos outras cinco novas espécies de pererequinhas-de-bromélia na região.








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