Neste domingo (03/12/2023), no encerramento de sua participação na COP28, nos Emirados Árabes, o governador Jerônimo Rodrigues, acompanhado pelos governadores de Pernambuco, Raquel Lyra, e do Ceará, Elmano de Freitas, defendeu veementemente a criação de um Fundo para a preservação da Caatinga. Durante um painel que reuniu líderes nordestinos, Rodrigues salientou a necessidade de reconhecimento e proteção desse bioma, propondo a formação de um instrumento financeiro semelhante ao Fundo da Amazônia.
“A Caatinga deve ser protagonista nas políticas públicas de preservação no Brasil. Apresentamos ao governo federal a proposta de criação do Fundo da Caatinga, que possibilitará o financiamento de iniciativas para prevenir desmatamento, promover a revegetação, fomentar a educação ambiental e sustentabilidade, entre outras ações”, explicou o governador baiano.
Os governadores nordestinos buscam a implementação de um fundo assemelhado ao já existente Fundo da Amazônia. A proposta está em análise junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Raquel Lyra, governadora de Pernambuco, ressaltou a importância da Caatinga para as metas nacionais de preservação, destacando que o Brasil deve enxergar esse bioma como uma solução local e global para questões climáticas.
A Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, abrange todos os estados do Nordeste e parte do norte de Minas Gerais. Com uma população de 27 milhões de pessoas, ocupa aproximadamente 10% do território nacional, sendo que na Bahia, esse percentual chega a 85%. Em agosto de 2016, o estado baiano instituiu a Política Estadual de Convivência com o Semiárido, sustentação jurídica para iniciativas governamentais e sociais de preservação.
“Reconhecemos a importância de todos os biomas, não queremos competir ou inviabilizar outras ações, mas o Fundo da Caatinga deve ser visto como mais uma ação do Brasil em seu compromisso ambiental, especialmente devido à sua contribuição significativa no processo de transição energética”, destacou Jerônimo Rodrigues.
Atualmente, 90% da energia eólica e a maioria dos parques de energia solar do país estão na Caatinga. Em contrapartida a esse papel fundamental, os governadores solicitam a aprovação do fundo para preservar as condições naturais do bioma, ameaçado por pontos de desertificação.
“Quem pensa que a caatinga é um lugar seco e sem vida se engana. Apesar da aridez, a vegetação possui raízes profundas que retêm o carbono, contribuindo para a redução do aquecimento global. Precisamos de mecanismos para preservá-la”, enfatizou o governador Jerônimo Rodrigues.








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