Ele argumentava que a sabedoria estava em viver em conformidade com a natureza e aceitar os eventos que não podem ser controlados.
A noção de “apatheia” (indiferença às emoções perturbadoras) tornou-se um conceito-chave no Estoicismo.
Zenão escreveu várias obras, mas infelizmente, a maioria delas foi perdida ao longo do tempo. Suas ideias foram posteriormente desenvolvidas por seus sucessores, especialmente Cleantes e Crisipo, que expandiram e sistematizaram a filosofia estoica.
O Estoicismo floresceu durante a era helenística e teve um impacto duradouro e significativo ao longo da história, influenciando pensadores romanos como Sêneca, Epiteto e Marco Aurélio. Seus ensinamentos continuam a ser estudados e apreciados na filosofia contemporânea, oferecendo orientações práticas para uma vida ética e significativa.
O que é o Estoicismo
O Estoicismo é uma escola filosófica que enfatiza a busca pela virtude, a razão e a conformidade com a natureza como meios para alcançar a paz interior e a sabedoria. Os estóicos acreditavam que as pessoas podiam viver em harmonia com o universo, aceitando as circunstâncias que não podem ser alteradas e agindo de maneira ética nas situações que podem ser controladas.
O conhecimento estóico
A epistemologia estóica, centrada na crença de que o conhecimento é acessível por meio da razão, representa uma abordagem única na filosofia antiga. Os estoicos afirmavam que a verdade podia ser discernida da falsidade, embora, na prática, apenas se pudesse alcançar uma aproximação. A teoria estóica sugere que os sentidos constantemente recebem sensações que, ao passarem pelos objetos em direção à mente, deixam uma impressão na imaginação, denominada de phantasma.
A mente estóica possui a capacidade de julgar (sunkatathesis) uma impressão, possibilitando a distinção entre uma representação verdadeira e uma falsa da realidade. Algumas impressões podem ser prontamente aceitas, enquanto outras podem receber diferentes graus de aprovação hesitante, classificadas como crenças ou opiniões (doxa). A clara compreensão e convicção (katalepsis), bem como a certeza e o conhecimento verdadeiro (episteme), alcançáveis apenas pelo sábio estóico, requerem a verificação da convicção pela experiência compartilhada e pelo julgamento coletivo da humanidade.
A citação de Marco Aurélio destaca a importância de uma análise meticulosa e verdadeira de cada objeto da vida, buscando entender sua essência, composição e função.
“Produz para ti próprio uma definição ou descrição da coisa que te é apresentada, de modo a veres de maneira distintiva que tipo de coisa é na sua substância, na sua nudez, na sua completa totalidade, e diz a ti próprio se é seu nome apropriado, e os nomes das coisas de que foi composta, e nas quais irá resultar. Pois nada é mais produtivo para a elevação da alma, como ser-se capaz de examinar metódica e verdadeiramente cada objeto que te é apresentado na tua vida, e sempre observar as coisas de modo a ver ao mesmo tempo que universo é este, e que tipo de uso tudo nele realiza, e que valor todas as coisas têm em relação com o todo”. — Marco Aurélio.
Para Marco Aurélio, essa prática é fundamental para a elevação da alma, permitindo a compreensão do universo e o valor intrínseco de todas as coisas em relação ao todo. Essa abordagem reflexiva ressoa com o compromisso estóico com a razão e a busca constante pela compreensão profunda do mundo que nos rodeia.
As três fases do estoicismo
Os acadêmicos, ao abordarem a história do estoicismo, tradicionalmente a dividem em três fases distintas, cada uma marcada por características específicas e protagonistas notáveis.
A primeira fase, conhecida como estoicismo antigo, teve seu desenvolvimento no século III a.C. Durante esse período, filósofos como Zenão de Cítio, Cleanto de Assos, Crísipo de Solos e Antípatro de Tarso desempenharam papéis cruciais na formação dessa filosofia. Sua preocupação abrangia áreas como lógica, física, metafísica e moral, estabelecendo as bases fundamentais do estoicismo.
A segunda fase, denominada estoicismo médio, testemunhou a fusão do pensamento estoico com o espírito romano. Representada por figuras como Panécio de Rodes (180 – 110 a.C.) e Possidónio (135 – 51 a.C.), essa etapa refletiu uma adaptação do estoicismo às realidades culturais e sociais da Roma Antiga.
A terceira fase, conhecida como estoicismo imperial ou novo estoicismo, contou com notáveis representantes, incluindo Caio Musónio Rufo, Sêneca (nascido no início da era cristã e falecido em 65 d.C.), Epicteto (50 – 125 d.C.) e Marco Aurélio (121 – 180 d.C.), este último também desempenhando o papel de imperador romano em 161. As obras desses filósofos, como as de Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio, desempenharam um papel fundamental na disseminação do estoicismo no mundo ocidental.
A última fase, caracterizada como o período romano do estoicismo, é notável por sua ênfase prática e religiosa, como evidenciado nos “Discursos” e no “Enquirídio” de Epiteto, assim como nos “Pensamentos” ou “Meditações” de Marco Aurélio. A obra “Cartas morais a Lucílio” de Sêneca, por sua vez, pode ser considerada uma valiosa introdução ao estoicismo, oferecendo um curso prático e abrangente dessa filosofia.
Uso moderno
O termo “estoico” adquiriu um significado peculiar no uso moderno, frequentemente associado a alguém que demonstra indiferença diante da dor, prazer, tristeza ou alegria. A primeira referência documentada desse uso moderno como um substantivo remonta a 1579, enquanto como adjetivo, foi registrado em 1596. Em sua acepção contemporânea, ser “estoico” implica, muitas vezes, reprimir sentimentos ou resistir pacientemente a experiências emocionais.
Essa adaptação moderna do termo não é totalmente desvinculada de suas raízes filosóficas. Ao contrário do termo “epicurista”, a Enciclopédia de Filosofia de Stanford observa que o sentido do adjetivo “estoico” em inglês guarda alguma coerência com as origens filosóficas do Estoicismo. Esta observação sugere que, embora o uso cotidiano tenha evoluído, ainda há uma conexão perceptível com os princípios fundamentais da filosofia estoica. Esse vínculo demonstra a duradoura influência da escola estóica na compreensão e interpretação contemporâneas de atitudes e comportamentos.
Estoicismo na atualidade:
O Estoicismo deixou um legado duradouro e continua a ser estudado e praticado na atualidade. Sua ênfase na autodisciplina, aceitação das circunstâncias, ética da virtude e busca da tranquilidade interior ressoa em muitos aspectos da psicologia moderna, filosofia prática e desenvolvimento pessoal.
Indivíduos buscam incorporar princípios estoicos para enfrentar os desafios da vida com serenidade, ética e sabedoria. O termo “estoico” no contexto contemporâneo muitas vezes se refere a alguém que demonstra autocontrole emocional e aceitação serena diante das adversidades.










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