Na Faixa de Gaza, profissionais humanitários da ONU emitiram um alerta contundente, classificando o atual nível de assistência como “quase catastrófico”. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) destacou que a violência em curso tornou praticamente impossível a distribuição de apoio além da região de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, onde mais de 1,2 milhão de pessoas enfrentam condições perigosamente saturadas, usando lençóis plásticos como abrigo.
O líder de comunicações do PMA para o Oriente Médio e Norte da África, Abeer Atefa, expressou preocupação, afirmando que “em áreas além de Rafah, a assistência é quase catastrófica”. O pedido por maior acesso a todas as cinco províncias de Gaza foi ecoado por diversas agências da ONU.
O relato de mais de 100 israelenses mantidos como reféns na área ressalta a gravidade da situação, especialmente para os 45 que necessitam de tratamento para doenças crônicas ou medicamentos essenciais. Uma pequena janela de esperança surgiu com a autorização, na quinta-feira, da entrada de medicamentos para reféns israelenses e suprimentos de ajuda para palestinos, sob mediação do Catar e da França.
Nas primeiras semanas do ano, agências humanitárias enfrentaram negações e interrupções em 75% das operações planejadas para entregar suprimentos essenciais no norte de Wadi Gaza. O Ocha relatou missões humanitárias inviabilizadas devido à insegurança das rotas ou atrasos excessivos nos postos de controle.
O vice-diretor executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Ted Chaiban, após uma visita de três dias à Faixa de Gaza, descreveu a situação como “quase colapso”, destacando que Gaza se tornou o lugar mais perigoso para ser criança, com condições desumanas, escassez de água, saneamento precário e uma crescente crise nutricional entre as crianças.
A devastação causada pela guerra também contribuiu para uma crise hídrica, deixando apenas uma das três tubulações de abastecimento de água de Israel funcionando. A tubulação de água Deir al Balah, com capacidade de 17 mil metros cúbicos por dia, precisa de reparos urgentes, de acordo com o Ocha.
Os impactos são devastadores, com mais de 160 mortes e 350 feridos nos últimos dois dias. O número total de palestinos mortos desde o início da guerra ultrapassa 24.400. Três soldados israelenses também perderam a vida, elevando o total de combatentes israelenses mortos para 191 desde 7 de outubro.
*Com informações da ONU News.








Deixe um comentário