O que é afrofuturismo e como ele pode revolucionar a estética, a política, as artes e a filosofia

Em 2050, estima-se que 25% da população mundial será africana, marcando uma mudança demográfica significativa. Esse fenômeno é parte de uma revolução tecnológica e econômica que ocorre na África, consolidando a visão de que o futuro está intrinsecamente ligado ao continente. No centro desse movimento está o afrofuturismo, uma corrente em ascensão no Brasil e no mundo.

Israel Neto, autor, roteirista e cofundador da Editora afrofuturista Kitembo, explica que o afrofuturismo é um movimento multifacetado que permeia a estética, política, artes e filosofia. Originado nos anos 1990, destaca a potência da ancestralidade negra pré-escravidão e reivindica espaço contemporâneo e futuro.

O movimento busca protagonismo negro na produção artística, especialmente na literatura, ficção científica e fantasia. Israel Neto destaca que o afrofuturismo vai além da ficção científica, abrangendo obras de suspense e horror que subvertem a narrativa ocidental, proporcionando visibilidade à cultura negra.

Questionado sobre a obrigação do Brasil, como país de maioria negra, em ser um terreno fértil para o afrofuturismo, Neto destaca desafios como a barreira linguística e a necessidade de superar o racismo que tende a reduzir representatividade a uma única voz negra. O afrofuturismo, segundo ele, busca o empoderamento, rompendo ciclos de violência e preconceito.

Alê Santos, outro expoente do movimento, ressalta que, apesar do nome, o afrofuturismo não é uma variação do futurismo italiano. Enquanto este último buscava a ruptura com o passado em prol do progresso, o afrofuturismo bebe da fonte da herança negra, resgatando o passado para construir um futuro potente e livre de opressões.

*Com informações da Sputnik News.


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