Sem redes sociais não haveria tentativa de golpe, avalia especialista

Em 8 de janeiro de 2023, uma jornada que ficaria marcada por um ataque golpista à capital brasileira também testemunhou a jornalista Tereza Cruvinel, com mais de quatro décadas de experiência, sendo hostilizada e agredida por bolsonaristas. A violência direcionada a ela foi alimentada por uma onda de desinformação nas redes sociais, onde uma foto sua, compartilhada com uma fake news, a identificava erroneamente como colaboradora da polícia.

Tereza Cruvinel teve seu episódio pessoal como parte de uma trama muito maior, onde as redes sociais foram a ferramenta chave para a disseminação de ódio, desinformação e incitação à violência. A diretora de relações institucionais da ONG Redes Cordiais, Gabriela de Almeida Pereira, enfatiza que sem a rápida comunicação digital em rede, a tentativa de golpe que resultou na destruição parcial de importantes instituições não teria ocorrido.

Em entrevista à Agência Brasil, Gabriela destaca a gravidade da situação, impulsionada por semanas de preparação nas redes sociais, que contribuíram significativamente para intensificar o clima hostil. Ela argumenta que redes sociais, especialmente aquelas que formam grupos mais fechados, são terrenos férteis para a disseminação de discursos de ódio e desinformação. A falta de rastreamento nessas plataformas facilita a impunidade, enquanto as emoções são exploradas para aumentar o engajamento.

A especialista ressalta que as plataformas, compreendendo como a emoção impulsiona o engajamento, utilizam algoritmos que promovem conteúdos de ódio, mantendo as pessoas cada vez mais presas em bolhas de informação. A tentativa de golpe em janeiro destaca, segundo ela, a urgência de regulamentar as redes sociais no Brasil para garantir a segurança online e offline. Para Gabriela Pereira, é crucial responsabilizar tanto os emissores de conteúdo violento quanto as plataformas que o hospedam.

*Com informações da Agência Brasil.


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