Desde que o presidente Lula resolveu começar sua campanha eleitoral pela Bahia no chamado “Giro pelo Brasil”, o MDB se tornou peça chave na sua vitória. O objetivo era se posicionar como candidato vitorioso às eleições presidenciais e impulsionar o desempenho de aliados nas eleições municipais deste ano, principalmente nas de Salvador, onde o eleitorado, em sua maioria, é carlista. Até o presente momento o predomínio no município é do prefeito Bruno Reis, que tenta a reeleição. Eleito em 2020, vai tentar mais quatro anos, enfrentando o PT e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, que usou sua força política no estado para o MDB apoiar Lula. Em troca, exigiu o apoio do PT ao candidato do seu partido a prefeito de Salvador, Geraldo Júnior, atual vice-governador da Bahia eleito justamente na dobradinha MDB-PT. O PT indicará o candidato a vice.
Geraldo Júnior é advogado, formado em Direito pela Universidade Católica de Salvador (UCSAL) e pós graduado em Processo Civil, foi vereador por três mandatos consecutivos. Chegou a presidir a Câmara Municipal. Antes de ingressar na política foi advogado e coordenador jurídico da Companhia Municipal de Abastecimento (COMASA) entre 1993 e 2000. Foi também secretário de Trabalho e Esporte na segunda gestão de ACM Neto.
Por ocasião do lançamento da sua candidatura a vice governador na chapa petista, seu padrinho, Geddel Vieira Lima, fez um discurso inflamado, dirigido aos seus inimigos e aos petistas, pedindo a ambos que “explorem o que quiser, falem o que quiser, mas não vão cassar a minha cidadania. E não vão cassar porque não nasceu ainda, nem na Bahia nem no Brasil, ninguém para cassar minha vontade de viver “, E mais: “Os que quiserem explorar que o façam. Eu vou ter de lembrar o velho Zagalo: ‘Vão ter de me engolir, p.!’”. Em outro momento, declarou ter tido o “privilégio e a honra de servir” o ex-presidente Lula, do qual foi ministro da Integração Nacional entre 2007 e 2010.
A briga promete. Segundo as últimas pesquisas, em especial a do Índice CNN, desenvolvida em parceria com o Ipespe, o prefeito Bruno Reis (União Brasil) tem 53% dos votos na corrida para a Prefeitura de Salvador em 2024. Geraldo Júnior aparece com 10%, seguido do ex-ministro João Roma (PL), com 6%. O cientista social Kleber Rosa (PSOL) chega a 3% e a professora Luciana Buck (Novo), fica com 2%. Apesar dessa preferência, não se pode desprezar a esperteza política de Geddel. Nos bastidores trabalhou por Lula e pelo candidato do PT ao governo da Bahia. Em contrapartida, indicou o secretário de Administração do estado. Homem forte do MDB baiano, criativo e cheio de inventividade, costurou nos bastidores uma aliança em torno de Geraldo Júnior como candidato de seu partido à prefeitura de Salvador. Mas para isso teve que brigar. Segundo a Imprensa, chegou a afirmar que o PT queria tudo, pois, além dos governos federal e estadual “Quando faz um gesto desse partidário [de lançar candidatura própria em Salvador], fica parecendo que quer tudo, parece uma garganta profunda”. Após deixar a prisão, dizem que montou uma empresa de consultoria política e participa de reuniões com empresários e políticos, dando palpite nos governos federal e estadual. De temperamento forte, é inimigo do Chefe da Casa Civil, Ruy Costa, a quem chama de “cintura dura”, segundo a imprensa. Vocifera até contra Lula, chamando-o de “bagrão”. Apesar de não gostar de Jair Bolsonaro, acha que foi “um erro brutal” do TSE tornar o ex-presidente inelegível. Para ele, “A inelegibilidade não é pena, porque tira do eleitor o direito de julgar”.
*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.








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