Operação Murder Inc pode ter desdobramentos sobre o assassinato de Anderson Gomes e Marielle Franco; Autoridades investigadas no Rio de Janeiro mostra degradação do Estado

Operação da PF autorizada pelo Ministro do STF Alexandre de Moraes resulta no afastamento do delegado Giniton Lages e do agente Marco Antônio de Barros Pinto, suspeitos de acobertar o crime de Marielle Franco.
Operação da PF autorizada pelo Ministro do STF Alexandre de Moraes resulta no afastamento do delegado Giniton Lages e do agente Marco Antônio de Barros Pinto, suspeitos de acobertar o crime de Marielle Franco.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), ordenou o afastamento do delegado Giniton Lages e do agente Marco Antônio de Barros Pinto da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ambos estiveram envolvidos na investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, ocorrido em 2018.

Além do afastamento, Moraes determinou o uso de tornozeleira eletrônica para os dois, que são suspeitos de terem ocultado informações sobre o crime. Giniton foi designado para liderar as investigações pelo então chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, também detido.

Ambos foram alvos de buscas e apreensões em suas residências na capital fluminense. Além de Rivaldo, outras figuras de destaque foram presas neste domingo (24/03/2024), incluindo Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e o deputado federal Chiquinho Brazão, do partido União Brasil-RJ.

Giniton é autor do livro “Quem matou a Marielle”, onde detalha os bastidores do assassinato da vereadora, conectando o crime a grupos de milícia que atuam na zona oeste do Rio de Janeiro.

Anistia Internacional Brasil critica relação de agentes públicos com Caso Marielle

A participação de ex-agentes de segurança pública e agentes públicos no assassinato da vereadora Marielle Franco é alarmante, e as prisões deste domingo (24/03), apesar de representarem um avanço, ainda não significam justiça. Essas foram as considerações da Anistia Internacional Brasil sobre a operação que prendeu acusados de serem os mandantes do assassinato, cometido há seis anos, e de terem obstruído suas investigações.

“Informações já apuradas pelas autoridades sugerem que o crime poderia estar ligado aos interesses de expansão das milícias no Rio. Nesse sentido, é preciso lembrar que o surgimento e expansão de grupos paramilitares, resultam, entre outros fatores, da impunidade e da falha das autoridades do Estado em oferecerem respostas contundentes a desvios em suas estruturas”, diz a organização, que acompanha o crime e dá suporte às famílias de Marielle e Anderson desde os primeiros momentos após o assassinato.

Na manhã deste domingo (24), a operação Murder Inc. cumpriu três mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), todos na cidade do Rio de Janeiro. De acordo com fontes ligadas à investigação, foram presos Domingos Brazão, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Rio, Chiquinho Brazão, deputado federal do Rio, e Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio.

Dever do Estado A Anistia lembra que a responsabilidade do Estado sobre o surgimento e a expansão de grupos paramilitares “tem sido objeto de condenações emblemáticas na Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH)”, que estabelece responsabilidades como o dever de prevenir violações de direitos, investigar de forma diligente, responsabilizar por violações e reparar as vítimas.

“As autoridades brasileiras têm falhado em todos esses deveres frente aos assassinatos de Marielle e Anderson”, avalia a organização, que considera inaceitável a demora de seis anos para a elucidação do crime.

“Este grave crime foi preparado minuciosamente. Diversos atores estiveram envolvidos nesse processo e, após os assassinatos, assistimos, durante os últimos 6 anos, a inúmeras falhas e tentativas de obstrução das investigações, muitas delas protagonizadas por agentes públicos. Todos devem ser responsabilizados”.

A Anistia Internacional conclui afirmando que renova sua cobrança pública por justiça e instando as autoridades brasileiras a garantir que todos os responsáveis pelo planejamento e execução do crime, bem como todos os responsáveis por eventuais desvios e obstruções das investigações, sejam levados à justiça em julgamentos justos que atendam aos padrões internacionais.

“O legado de Marielle só poderá florescer se o Brasil se tornar um espaço seguro para todas e todos que defendem direitos humanos”.

Os principais aspectos do Caso Marielle Franco e Anderson Gomes

I. Ação Judicial Contra Suspeitos

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou medidas drásticas no desdobramento das investigações sobre o assassinato de Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes. O afastamento do delegado Giniton Lages e do agente Marco Antônio de Barros Pinto da Polícia Civil do Rio de Janeiro é um desdobramento significativo nesse caso que se arrasta desde 2018.

II. Suspeitas de Acobertamento

Ambos os investigadores são suspeitos de terem acobertado o crime, o que coloca em xeque a integridade das investigações conduzidas até então. Giniton Lages, indicado para comandar as investigações pelo então chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, também preso, agora enfrenta sérias acusações.

III. Prisões e Desdobramentos

Além dos afastamentos, a operação policial resultou na prisão de Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e do deputado federal Chiquinho Brazão. Ambos são apontados como mandantes do assassinato de Marielle Franco, um crime que chocou o Brasil e o mundo.

IV. Continuidade das Investigações

Com esses desdobramentos, a investigação ganha novo fôlego, trazendo à tona possíveis falhas e interferências que podem ter prejudicado o desfecho do caso. O papel da justiça e da polícia é agora reavaliado, enquanto a sociedade espera por respostas concretas e justiça para Marielle e Anderson.

Nesse contexto de complexas relações políticas e jurídicas, a investigação do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes avança com novos desdobramentos que podem mudar o curso do processo judicial. O afastamento do delegado e do agente, juntamente com as prisões de figuras influentes, intensifica o escrutínio sobre o caso e traz à tona questões cruciais sobre a integridade das investigações e a busca pela verdadeira justiça.

Avanço das investigações

Os recentes desenvolvimentos no caso do assassinato de Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, mostram um avanço significativo nas investigações. Aqui está um resumo dos eventos mais recentes:

  1. Validação de delações: As delações premiadas de Ronnie Lessa, ex-policial militar acusado de matar Marielle, e Élcio Queiroz, ex-PM que dirigia o veículo usado no crime, foram validadas pelo ministro Moraes. Essas delações forneceram informações cruciais para as investigações.
  2. Possíveis desdobramentos: Fontes próximas à investigação não descartam a possibilidade de novas delações e acreditam que os materiais recolhidos durante a operação da PF podem levar a novos desdobramentos no caso.

O progresso recente nas investigações sugere que o desfecho do caso pode estar mais próximo, especialmente com a validação das delações e as prisões de figuras-chave suspeitas de envolvimento no crime.

Leia +

https://jornalgrandebahia.com.br/2024/03/quem-sao-os-suspeitos-do-assassinato-de-marielle-franco-presos-durante-operacao-murder-inc-conselheiro-do-tribunal-deputado-federal-e-ex-chefe-de-policia-sao-suspeitos/


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