Donald Trump se tornou o primeiro ex-presidente dos Estados Unidos a ser condenado em uma ação criminal. O veredicto, anunciado nesta quinta-feira (30/05/2024), marca um acontecimento histórico que adiciona complexidade à corrida presidencial de 2024, onde Trump é considerado um dos principais candidatos do Partido Republicano.
O júri, composto por 12 membros, declarou Trump culpado em 34 acusações de falsificação de registros empresariais. As acusações estão relacionadas a pagamentos feitos à atriz pornô Stormy Daniels para impedir que ela divulgasse alegações de um relacionamento com Trump, que teria ocorrido antes das eleições de 2016. A decisão foi unânime entre os jurados, que deliberaram por dois dias antes de chegar ao veredicto.
Após a leitura do veredicto, o advogado de Trump, Todd Blanche, solicitou a confirmação individual de cada jurado, que reafirmaram sua decisão. As 34 acusações correspondem a documentos diferentes, todos relacionados à fraude. A defesa de Trump anunciou que recorrerá da decisão.
Trump responsabilizou o presidente Joe Biden pela condenação, alegando perseguição política.
“Isso foi feito pelo governo Biden para atingir ou prejudicar um oponente político”, declarou o ex-presidente ao sair da Corte Criminal de Manhattan.
A sentença será definida pelo juiz Juan Merchan em 11 de julho. As penas variam de serviço comunitário a até quatro anos de prisão por cada acusação, embora devam ser cumpridas simultaneamente. É esperado que, devido à natureza dos crimes e ao fato de Trump ser réu primário, a sentença não seja severa.
Legalmente, a condenação não impede a candidatura de Trump à presidência. A Constituição americana não prevê restrições a candidatos condenados criminalmente, mesmo que estejam cumprindo pena. Politicamente, o impacto é incerto. Pesquisas indicam que uma pequena parcela do eleitorado de Trump reconsideraria seu voto em caso de condenação, o que pode ser decisivo em uma eleição disputada.
Além desse caso, Trump enfrenta outros três processos criminais, nenhum dos quais deve ser concluído antes das eleições de 5 de novembro. Os casos envolvem acusações de tentativa de reverter a eleição de 2020, interferência eleitoral na Geórgia em 2020 e posse ilegal de documentos sigilosos.
O julgamento em Manhattan durou seis semanas, com 22 testemunhas, incluindo Stormy Daniels e Michael Cohen, ex-advogado de Trump. Cohen testemunhou que pagou US$ 130 mil a Daniels para silenciá-la sobre o suposto caso com Trump. A promotoria alegou que os pagamentos foram mascarados como honorários advocatícios para ocultar sua verdadeira natureza nos registros da Organização Trump.
Trump negou qualquer relacionamento com Daniels e afirmou que os pagamentos não foram feitos para influenciar a eleição. A defesa de Trump tentou desacreditar Cohen, ressaltando suas condenações anteriores por mentir ao Congresso e outras acusações criminais.
Pesquisas recentes indicam que a condenação poderia ampliar a vantagem de Joe Biden sobre Trump em uma possível eleição. O Partido Democrata debate como explorar politicamente a condenação de Trump, enquanto o próprio presidente Biden tem mantido distância do assunto.
O Lincoln Project e outras organizações centristas preparam campanhas para destacar a condenação de Trump, visando influenciar eleitores em estados decisivos como Arizona e Wisconsin.
*Com informações da Folha de S.Paulo e CNN Brasil.
Share this:
- Click to print (Opens in new window) Print
- Click to email a link to a friend (Opens in new window) Email
- Click to share on X (Opens in new window) X
- Click to share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn
- Click to share on Facebook (Opens in new window) Facebook
- Click to share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp
- Click to share on Telegram (Opens in new window) Telegram
Relacionado
Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)
Subscribe to get the latest posts sent to your email.




