Rio Grande do Sul enfrenta novos temporais e diques insuficientes; Comporta é aberta para escoamento de água no centro de Porto Alegre

Imagem aérea de 16 de maio de 2024 registra Porto Alegre e Região Metropolitana afetadas por chuvas em enchentes.
Imagem aérea de 16 de maio de 2024 registra Porto Alegre e Região Metropolitana afetadas por chuvas em enchentes.

O ministro extraordinário para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, Paulo Pimenta, alertou nesta sexta-feira (17/05/2024) sobre a possibilidade de novos temporais na próxima semana. Segundo Pimenta, as previsões meteorológicas indicam que, entre terça e quinta-feira, pode chover entre 100 e 150 milímetros, especialmente na porção noroeste do estado e na região metropolitana de Porto Alegre.

Durante entrevista coletiva, Pimenta destacou a probabilidade de um novo pico de chuvas fortes na semana seguinte, ressaltando a gravidade da situação. Ele mencionou que, desde a cheia de 1941, quase todos os municípios da região metropolitana de Porto Alegre são protegidos por um sistema de diques e casas de bomba. Estas infraestruturas têm sido essenciais para prevenir inundações em áreas que estão ao nível do mar ou do rio. Sem esses diques, a probabilidade de inundações seria significativamente maior.

No entanto, Pimenta explicou que os diques e as casas de bomba, que passaram a ser de responsabilidade dos municípios ao longo dos anos, não foram suficientes para conter as recentes enchentes. A cota para a qual os diques foram originalmente construídos foi baseada na enchente de 1941. Contudo, algumas regiões enfrentaram inundações que superaram em 70% os níveis de 1941, resultando em transbordamentos e rompimentos dos diques. Além disso, a capacidade de resposta do sistema de bombas foi considerada insuficiente.

O ministro sublinhou que não é o momento para análises detalhadas, mas reconheceu a insuficiência das infraestruturas de contenção. A água que ultrapassou ou rompeu os diques criou grandes áreas alagadas, especialmente em Canoas, São Leopoldo e Porto Alegre. Nessas regiões, muitas pessoas ainda não podem retornar às suas casas, e as autoridades não podem determinar se essas áreas serão habitáveis até que a água baixe.

Para auxiliar na remoção da água acumulada, o governo federal está negociando com os estados de São Paulo, Ceará e Alagoas o envio de bombas de água. Serão enviadas ao todo 18 bombas pela Sabesp, companhia de abastecimento de São Paulo, além de oito bombas do governo cearense e uma bomba utilizada na transposição do Rio São Francisco, em Alagoas. Até o momento, pelo menos dois equipamentos já chegaram ao Rio Grande do Sul, com a expectativa de que outros quatro sejam entregues ainda nesta sexta-feira.

Comporta é aberta para escoamento de água no centro de Porto Alegre

O Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre (Demae) realizou na tarde desta sexta-feira (17/05) a abertura da comporta número 3, localizada na Avenida Mauá, esquina com a rua Padre Tomé. A operação, que durou cerca de uma hora, teve como objetivo escoar a água acumulada no centro histórico da cidade para o leito natural do Lago Guaíba. Esta área é um importante polo comercial, bancário, e cultural, abrigando museus e centros culturais.

A decisão foi tomada após análise técnica indicar uma redução de 40 centímetros no volume de água acumulada naquele ponto. Na manhã de sexta-feira, o Lago Guaíba estava com um nível de 4,69 metros, enquanto a cota de inundação é de 3 metros. O nível recorde foi registrado em 6 de maio, quando o lago atingiu 5,33 metros.

Maurício Loss, diretor-geral do Demae, esclareceu em nota que a abertura da comporta permitirá um melhor escoamento da água, viabilizando o acesso às casas de bombas 17 e 18, localizadas no centro da cidade, para a retomada das operações. “Com a diminuição do nível do Guaíba, identificamos uma diferença de 40 cm entre a água da Avenida Mauá em relação ao Cais, por isso conseguimos abrir a comporta e dar maior vazão ao fluxo”, explicou Loss.

As comportas haviam sido fechadas em 2 de maio para conter o avanço das águas do Lago Guaíba, que já inundavam a capital gaúcha. Esta medida foi necessária devido a falhas no sistema de contenção e bombeamento pluvial. Esta inundação foi a maior registrada na história da capital.

A operação de abertura da comporta contou com o apoio de um rebocador de navios, a Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, e equipes do departamento municipal responsável pelo tratamento de água e esgotos em Porto Alegre. O Demae informou que continua monitorando a situação para a possível abertura de outras comportas do Guaíba.

Paralelamente, a Prefeitura de Porto Alegre está realizando operações de limpeza nas áreas onde a água já baixou. Desde segunda-feira (13) até esta sexta-feira, foram recolhidas 545 toneladas de resíduos diversos, entulhos e lodo, além das 365 toneladas removidas na semana anterior, totalizando 910 toneladas. As operações de limpeza continuarão com maior intensidade à medida que as águas do Guaíba recuarem no centro da cidade.

Imagem aérea de 16 de maio de 2024 registra Porto Alegre e Região Metropolitana afetadas por chuvas em enchentes.
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Imagem aérea de 16 de maio de 2024 registra Porto Alegre e Região Metropolitana afetadas por chuvas em enchentes.
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