O Relatório Mundial de Investimentos de 2023, divulgado pela UNCTAD em 20 de junho de 2024, revelou que o investimento estrangeiro direto (IED) na América Latina e no Caribe atingiu US$ 193 bilhões no ano passado, mantendo-se estável em comparação a períodos anteriores. Este valor foi impulsionado principalmente por projetos no setor de minerais críticos e energia renovável, refletindo uma tendência global em direção a tecnologias de energia limpa.
Segundo o relatório, o IED ‘greenfield’, que envolve a criação de novas operações no exterior, registrou um aumento significativo na região, com grandes projetos sendo anunciados especialmente no Brasil e no Chile. Estes países destacaram-se não apenas pela magnitude dos investimentos, mas também pela diversificação das iniciativas, abrangendo desde a produção de hidrogênio verde até a extração de minerais essenciais para tecnologias modernas.
Os setores de energia renovável e minerais básicos foram os principais beneficiários do influxo de investimentos estrangeiros. O relatório destacou que 23% dos projetos ‘greenfield’ na região nos últimos dois anos foram dedicados a commodities fundamentais para as tecnologias de energia limpa, uma proporção consideravelmente superior à média de outras regiões em desenvolvimento.
Além disso, a América Latina e o Caribe foram palco de 19 megaprojetos avaliados em mais de US$ 1 bilhão cada, dos quais 17 foram iniciados por investidores estrangeiros. Esta dinâmica reflete a confiança contínua dos investidores internacionais na região, apesar dos desafios econômicos globais e das flutuações no mercado internacional.
Por outro lado, o relatório também apontou algumas tendências menos otimistas. O número e o valor das transações internacionais de financiamento de projetos diminuíram em 30% e 23%, respectivamente, na América Latina e no Caribe. Setores como energia renovável foram particularmente afetados, registrando uma queda de 40% nas transações em comparação com 2022, evidenciando a complexidade dos desafios enfrentados pelo setor.
Em termos regionais, a América do Sul experimentou uma leve queda de 2% nos fluxos de IED, com o Brasil liderando como o maior receptor na sub-região. Na América Central, o México permaneceu como o principal destino de investimentos estrangeiros, apesar da redução nos valores dos projetos. Já no Caribe, excluindo os centros financeiros offshore, houve um aumento geral de 6% nos fluxos de IED, com países como a República Dominicana registrando crescimento notável.
Nos últimos cinco anos, os fluxos de IED expandiram-se significativamente entre os grupos econômicos da região, com destaque para o crescimento triplo dos investimentos na Comunidade do Caribe desde 2018. Essa evolução sublinha não apenas o potencial econômico da América Latina e do Caribe, mas também a crescente importância das commodities e da energia limpa como motores de desenvolvimento econômico sustentável na região.
*Com informações da ONU News.








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