Uma pesquisa preliminar apresentada no Festival 3i, realizado no Rio de Janeiro, destacou a pulverização no mercado de influenciadores digitais. O estudo analisou os fatores que levam os jovens a seguir determinados perfis nas redes sociais e a influência desses perfis na construção de opiniões e atitudes políticas. No Brasil, foram aplicados 100 questionários, resultando em 701 influenciadores mencionados, dos quais 72,6% foram citados apenas uma vez e apenas 3,7% receberam cinco ou mais menções.
Segundo a cientista política Camila Rocha, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), o fenômeno de pulverização também é observado em outros países da América Latina. Além do Brasil, a pesquisa abrangeu México, Chile, Colômbia e Argentina, envolvendo 350 participantes de 16 a 24 anos. Houve também entrevistas com influenciadores e grupos focais com 90 participantes. Os resultados completos serão divulgados posteriormente pelo Cebrap.
No Brasil, Virgínia Fonseca liderou a lista de influenciadores mais citados, seguida por Carlinhos Maia, Rayssa Buq, Neymar, Mirella Santos, Mel Maia, Felipe Neto, Whindersson Nunes, Vanessa Lopes e Mari Maria. O mercado de influenciadores digitais está em expansão global, com previsão de movimentar US$ 480 bilhões até 2027, segundo relatório do Goldman Sachs.
A pesquisa ressaltou a importância de influenciadores locais que estabelecem relações mais próximas com seus seguidores. Bianca Santos, uma maquiadora profissional, exemplifica essa tendência. Ela começou a produzir vídeos durante a pandemia e rapidamente ganhou seguidores.
As redes mais usadas pelos jovens brasileiros são Instagram, WhatsApp e TikTok. As principais razões para seguir um influenciador são a coerência de atitudes e a especialidade no conteúdo. Por outro lado, os principais motivos para deixar de seguir um influenciador incluem discordância com suas opiniões e excesso de marketing. Os jovens valorizam ações sociais e sorteios realizados pelos influenciadores, e consideram legítima a promoção de produtos, desde que haja transparência e qualidade.
A pesquisa também apontou a confiança e autenticidade como pilares na relação entre influenciadores e seguidores. Contudo, essa conexão pode ser rompida em caso de quebra de expectativas. A ansiedade é um efeito colateral comum do uso das redes, tanto para seguidores quanto para influenciadores.
Os resultados revelam ainda a competição por audiência entre veículos jornalísticos e canais informativos nas redes sociais. Perfis de notícias e fofocas são igualmente importantes para a informação dos jovens, com destaque para perfis como G1, Choquei, UOL, Hugo Gloss, Jovem Pan, Folha, Alfinetei e Fofoquei.
Influência política
Camila Rocha destacou que influenciadores digitais frequentemente se alinham a líderes políticos de extrema-direita, conforme evidenciado por pesquisas anteriores. A nova pesquisa buscou entender a influência política dos influenciadores. Mais da metade dos entrevistados brasileiros segue influenciadores politicamente ativos, mas 40% preferem discutir política pessoalmente. Conteúdos políticos incidentais são mais bem recebidos pelos jovens.
Entre os influenciadores citados espontaneamente, Jair Bolsonaro e Nikolas Ferreira foram os únicos políticos. Quando questionados diretamente, 42% dos entrevistados afirmaram seguir conteúdos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto 30% seguem Jair Bolsonaro.
Racismo
Outro estudo divulgado no Festival 3i monitorou manifestações de racismo contra 26 personalidades negras nas redes sociais. A pesquisa identificou quatro estratégias discursivas: desumanização, desqualificação, invisibilização e desinformação. A diretora da Aláfia Lab, Nina Santos, ressaltou o aumento dos ataques quando postagens “furam a bolha” e alertou para estratégias usadas pelos agressores para escapar da moderação de conteúdo.
*Com informações da Agência Brasil.
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