Alta do Dólar em nível preocupante: Especulação ou equívocos do Governo Lula?

A cotação do dólar atingiu R$ 5,65 nesta segunda-feira (01/07/2024), a maior desde janeiro de 2022, provocando uma reação imediata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à Rádio Sociedade, de Salvador, Lula descreveu a situação como uma especulação contra o real e anunciou a convocação de uma reunião de emergência para esta quarta-feira (4), com o objetivo de discutir ações para frear a desvalorização da moeda brasileira.

“É um absurdo. Obviamente me preocupa essa subida do dólar. É uma especulação. Há um jogo de interesse especulativo contra o real neste país. Não é normal o que está acontecendo”, afirmou o presidente.

Economistas analisam o impacto da alta do dólar na economia brasileira e avaliam as medidas do governo. Luiz Carlos Delorme Prado, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destacou as disputas internas como um fator contribuidor para o descontrole cambial. Segundo ele, o Brasil possui reservas suficientes para adotar políticas cambiais que controlem a variação do dólar, mas o Banco Central não tem atuado nesse sentido.

Com uma taxa de juros em dólar relativamente alta, investidores tendem a preferir aplicações em dólar em vez de investir em países em desenvolvimento como o Brasil. O ministro da Economia, Fernando Haddad, atribuiu a alta ao cenário internacional, apontando a inflação nos Estados Unidos e a taxa de juros elevada como responsáveis pela valorização do dólar não apenas no Brasil, mas em outras moedas de países em desenvolvimento.

Entretanto, Mauro Rochlin, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), discorda da posição de Haddad e atribui a alta do dólar à instabilidade fiscal brasileira. Segundo Rochlin, a incerteza sobre a adimplência da dívida pública brasileira leva investidores a buscar segurança no dólar, elevando sua cotação.

Para Gilberto Braga, professor do Ibmec e da Fundação Dom Cabral (FDC), o governo precisa demonstrar um compromisso claro com o equilíbrio fiscal. Ele destaca que as pressões por aumento de gastos colocam em dúvida as metas de redução de despesas e de déficit fiscal zero para 2024.

Os economistas também concordam que uma possível reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos poderia prejudicar a estabilidade cambial no Brasil. Um governo mais protecionista e com barreiras alfandegárias mais rígidas poderia elevar a inflação e a taxa de juros nos Estados Unidos, tornando os títulos americanos mais atraentes e desviando capital do Brasil.

As declarações do presidente Lula sobre o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e os gastos públicos também são apontadas como fatores que aumentam a aversão ao risco entre os investidores. Segundo Prado, do UFRJ, o Banco Central independente, em um país como o Brasil, gera mais instabilidade ao invés de estabilidade.

O impacto da alta do dólar é sentido de maneira mais acentuada pela população mais pobre. Produtos importados, insumos de produção e commodities vendidas em dólar se tornam mais caros, pressionando a inflação e corroendo o poder de compra da população. A inflação resultante da alta do dólar afeta todas as classes sociais, mas seu impacto mais severo é sentido entre os menos favorecidos, o que aumenta a preocupação do governo com a política inflacionária.

*Com informações da Sputnik News.


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