Brasil registra baixa produtividade da classe trabalhadora; Motoristas de aplicativo com formação superior reflete a subutilização de talentos

A “década perdida” no Brasil refere-se aos anos 1980, caracterizados por uma grave crise econômica que incluiu hiperinflação descontrolada, baixo crescimento do PIB e aumento da dívida externa. Durante esse período, o país enfrentou alto desemprego e subutilização de profissionais qualificados, com a economia estagnada e investimentos retraídos.

Diversos planos de estabilização foram tentados, mas falharam em resolver os problemas estruturais, resultando em significativas dificuldades sociais e econômicas que impactaram o desenvolvimento do país por muitos anos. Muitos profissionais com formação superior estavam desempregados, ou atuavam em empregos de baixa remuneração, e ou precários. Embora essa realidade tenha mudado substancialmente nos anos 2000, a subutilização de profissionais qualificados persiste no Brasil do terceiro decénio do século XXI.

Os desafios do Brasil no século XXI

Atualmente, é comum encontrar motoristas de aplicativos com alta qualificação. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que, em 2022, havia 1,1 milhão de motoristas de passageiros autônomos no Brasil, dos quais 21% possuíam ensino superior. Esse fenômeno é reflexo de uma economia que continua a usar seus recursos, tanto físicos quanto humanos, de maneira ineficiente, contribuindo para a estagnação da produtividade no país.

A produtividade, que mede a capacidade de uma economia de gerar mais riqueza com os mesmos recursos, não apresentou evolução significativa nas últimas décadas. Mesmo com avanços educacionais consideráveis — o analfabetismo reduziu-se de 20% em 1980 para 7% em 2023 e a proporção de trabalhadores com ensino superior subiu para 23% —, a produtividade por hora trabalhada manteve-se estagnada em R$ 41,00 desde 2012. Esse paradoxo é resultado de um mercado de trabalho ineficiente, onde muitos trabalhadores qualificados encontram-se em empregos que não exigem suas habilidades.

O Índice de Capital Humano, que mede as habilidades dos trabalhadores, aumentou 23% desde 2012. Porém, a Produtividade Total dos Fatores (PTF) — que inclui a produtividade do capital, como máquinas e tecnologias — recuou 16% no mesmo período. Essa queda reflete a ineficiência com que a economia brasileira utiliza seus recursos. A sobre-educação, com profissionais altamente qualificados em atividades que requerem menor formação, é um sintoma dessa ineficiência. Em 2023, 37% dos profissionais estavam nessa situação, um aumento significativo em relação aos 26% de 2012.

A baixa qualidade das instituições de ensino e a rápida expansão da oferta de ensino superior sem a correspondente capacidade de absorção pelo mercado de trabalho são fatores que agravam a subutilização dos profissionais. Além disso, a economia brasileira enfrenta desafios estruturais, como altos juros e insegurança jurídica, que desincentivam investimentos e impedem o crescimento da produtividade.

A taxa de investimento do Brasil, que está em torno de 16% do Produto Interno Bruto (PIB), é uma das mais baixas do mundo e deve permanecer estagnada nos próximos anos, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional. Esse cenário resulta em uma infraestrutura deficiente e uma tecnologia atrasada, perpetuando a ineficiência e prejudicando a produtividade geral. Sem uma política estruturada para melhorar a produtividade, o Brasil permanece preso na “armadilha da renda média”, incapaz de avançar significativamente desde os anos 1970.

Dados que evidenciam problemas estruturais do Brasil

Subutilização Profissional:

  • Motoristas de aplicativos: 1,1 milhão em 2022.
  • Motoristas de aplicativos com ensino superior: 21%.

Avanços na Educação:

  • Redução do analfabetismo: de 20% em 1980 para 7% em 2023.
  • Trabalhadores com ensino superior: 23% em 2023, aumento de 9% em 10 anos e de menos de 5% em 1980.

Produtividade e Economia:

  • Produtividade por hora trabalhada: R$ 41,00, estagnada desde 2012.
  • Índice de Capital Humano: aumento de 23% desde 2012.
  • Produtividade Total dos Fatores (PTF): recuo de 16% desde 2012.
  • Sobre-educação: 37% dos profissionais em 2023, aumento em relação aos 26% de 2012.

Desafios Estruturais:

  • Taxa de investimento: 16% do PIB, uma das mais baixas do mundo.
  • Projeção de estagnação da taxa de investimento: 15% até pelo menos 2029.
  • Barreiras ao investimento: altos juros e insegurança jurídica.
*Com informações da Revista Veja, edição nº 2903, veiculada em 26 de julho de 2024.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.