Na terça-feira (02/07/2024), a Holanda inaugurou um novo gabinete, marcando um evento inédito na história política contemporânea ocidental. O novo primeiro-ministro, Dick Schoof, foi nomeado com o aval dos partidos políticos que formam a coalizão, sem passar por um processo eleitoral tradicional ou votação no parlamento. Schoof, um alto funcionário público originário do Ministério da Justiça e Segurança, é um nome desconhecido para a maioria dos eleitores holandeses.
A decisão de nomear um primeiro-ministro neutro surgiu devido à falta de consenso entre os quatro partidos da coalizão, que incluem o Partido para a Liberdade (PVV), o Partido Popular da Liberdade e Democracia (VVD), o Movimento Cidadão dos Ruralistas (BBB) e o Partido do Novo Contrato Social (NSC). A ausência de um acordo prolongaria a formação do governo, o que motivou a escolha de um nome neutro para evitar a instabilidade.
As eleições legislativas, realizadas antecipadamente em novembro de 2023, resultaram na vitória do PVV, partido de extrema-direita liderado por Geert Wilders, que obteve 37 cadeiras na Câmara dos Deputados. No entanto, a recusa inicial dos partidos maiores em formar uma coalizão com o PVV complicou o processo de formação do gabinete. A colaboração de especialistas, mediadores e facilitadores foi essencial para ajustar as diferenças entre os representantes dos partidos, evidenciando a desconfiança mútua nas negociações.
Perfil do novo primeiro-ministro
Dick Schoof, 67 anos, é o novo primeiro-ministro da Holanda. Desde 2020, ele ocupava o cargo de secretário-geral do Ministério da Justiça e Segurança, tendo anteriormente atuado como coordenador nacional do Serviço de Combate ao Terrorismo e Segurança. Schoof também participou na formulação de novas políticas internas no Serviço de Imigração e Naturalização, um tema central na queda do gabinete anterior.
Em conferência à mídia nacional, Schoof afirmou que sua nomeação foi motivada pela capacidade de promover a união entre os partidos da coalizão. Ele se declarou disposto a governar para todos os holandeses e destacou que sua principal motivação é a capacidade de agregação, essencial para unir a coalizão.
No entanto, até as primeiras horas de terça-feira, eleitores de dois dos quatro partidos expressavam um baixo índice de confiança em Schoof, que assumiu o cargo sem um período definido para seu término.
Legado de Mark Rutte
Dick Schoof substitui Mark Rutte, que detém o recorde de maior tempo no cargo de primeiro-ministro na Holanda após a Segunda Guerra Mundial, com 14 anos de mandato. Rutte, que chefiou quatro gabinetes seguidos e inaugurou uma tendência liberalista no governo, assumirá em outubro a posição de secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
A nomeação de Rutte para a Otan foi resultado de uma intensa campanha política e diplomática, que envolveu a persuasão de líderes europeus em favor de sua candidatura, frente a outros candidatos de países como a Romênia. A escolha do chefe da Otan é feita por unanimidade.
*Com informações da RFI.










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