O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, nesta quarta-feira (24/07/2027), que a fome e a desigualdade são frutos de escolhas políticas e que problemas recorrentes só serão resolvidos com uma “governança mais efetiva e justa, na qual o Sul Global esteja adequadamente representado”. A declaração foi feita durante a formalização da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, ocorrida no Galpão da Cidadania, no Rio de Janeiro. O evento foi presidido por Lula e contou com a presença de autoridades como o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; o ministro da Fazenda, Fernando Haddad; o ministro substituto da Cultura, Márcio Tavares; o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias; e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
Lula iniciou seu discurso ressaltando que, ao longo dos séculos, a fome e a pobreza foram cercadas por preconceitos e interesses, considerando os pobres como um “mal necessário”. O presidente criticou a globalização neoliberal por exacerbar a desigualdade, afirmando que, enquanto a riqueza se concentra nas mãos de poucos, a fome persiste em pleno século XXI. Segundo o presidente, mais de 152 milhões de pessoas passaram a enfrentar a fome desde 2019, totalizando 733 milhões globalmente. Lula destacou que o aumento dos gastos com armamentos, que alcançou US$ 2,4 trilhões no último ano, contrasta com a abundância de alimentos disponíveis e a necessidade de priorizar o combate à fome.
O presidente também criticou o sistema financeiro internacional e a falta de reformas que aumentem a participação dos países em desenvolvimento. Segundo ele, a arquitetura financeira global, pouco alterada desde a Conferência de Bretton Woods em 1944, não tem sido adequada para enfrentar problemas modernos como a fome e a pobreza. Lula ressaltou a necessidade de uma governança mais justa, com maior representação do Sul Global, para resolver esses problemas.
Fernando Haddad e Mauro Vieira também abordaram a desigualdade. Haddad destacou a importância de uma tributação global mais justa, mencionando um estudo que indica que a arrecadação com impostos sobre bilionários poderia ser significativamente maior do que a ajuda destinada ao combate à fome e à pobreza. Vieira lembrou que, na metade do período da Agenda 2030 da ONU, o mundo está atrasado na consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com aumento da desigualdade global e emissões de carbono.
Na coletiva de imprensa, o ministro Wellington Dias apresentou o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo 2024”, afirmando a possibilidade de o Brasil sair do Mapa da Fome até 2026. O evento culminou com a aprovação e endosse da Aliança Global pelos países do G20, que assinaram seus documentos constitutivos.
*Com informações da Sputnik News.








Deixe um comentário