Riscos climáticos devem afetar biomassa de peixes em nível global

Nesta quarta-feira (10/07/2024), a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) publicou o relatório intitulado “Riscos de mudanças climáticas para ecossistemas marinhos e pescarias: Projeções até 2100 do Projeto de Intercomparação de Modelos de Ecossistemas Marinhos e Pesca”. O documento, resultado de uma análise detalhada realizada por pesquisadores em parceria com a FAO, aborda os impactos de longo prazo das mudanças climáticas nos ecossistemas marinhos e nas pescarias.

O relatório apresenta projeções preocupantes sobre a biomassa de peixes exploráveis em um cenário de altas emissões, que prevê um aquecimento global entre 3 °C e 4 °C até o final do século. De acordo com o estudo, sob esse cenário, a biomassa de peixes poderá diminuir em 30% ou mais em 48 países e territórios. Em contraste, em um cenário de baixas emissões, com aquecimento global na faixa de 1,5 °C a 2 °C, as mudanças se estabilizam, resultando em nenhuma alteração ou em uma redução de até 10% em 178 países e territórios.

Na Europa, Portugal é identificado como um dos países que enfrentarão um dos maiores declínios na biomassa de peixes. No Brasil, as diferenças nos níveis de peixes entre as regiões norte e sul podem ser equilibradas, compensando os declínios previstos. Na África, a região, que concentra mais de 40% das embarcações não motorizadas do mundo e onde o emprego na indústria pesqueira tem crescido constantemente, também enfrentará quedas na biomassa de peixes exploráveis, exceto no norte do continente e em algumas ilhas do sudeste e sudoeste. Angola é destacada com previsões de perdas em torno de 39% sob o cenário de altas emissões.

O relatório enfatiza que as quedas mais acentuadas na biomassa de peixes serão observadas em grandes produtores de peixes, com agravamento previsto para o final do século em cenários de altas emissões. Exemplos incluem uma projeção de redução de 37,3% nas Zonas Econômicas Exclusivas do Peru e 30,9% na China. No entanto, essas previsões se estabilizam em cenários de baixas emissões.

A FAO ressalta que a produção global na aquicultura e pesca atingiu um novo recorde de 223,2 milhões de toneladas em 2022, conforme antecipado no relatório “Estado Mundial da Pesca e Aquicultura, Sofia”. A análise envolveu o uso de modelos numéricos de última geração, e o Projeto de Intercomparação de Modelos de Ecossistemas Marinhos e Pesca foi lançado na 36ª Sessão do Comitê de Pesca, que ocorre nesta semana na sede da agência em Roma.

*Com informações da ONU News.


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