Rússia condena jornalista americano do Wall Street Journal a 16 anos de prisão por espionagem

O correspondente do Wall Street Journal, Evan Gershkovich, foi condenado a 16 anos de prisão por espionagem na Rússia. A sentença foi proferida na sexta-feira (19/07/2024) pelo juiz Andrei Mineyev, no tribunal de Ekaterimburgo. Gershkovich, de 32 anos, foi detido em março de 2023 durante uma reportagem na cidade de Ekaterimburgo, localizada na região dos Urais.

O jornalista foi acusado pela Promotoria de compilar informações sensíveis sobre a Uralvagonzavod, um dos principais fabricantes de armas da Rússia, para a agência de inteligência americana CIA. O governo dos Estados Unidos considera que a detenção de Gershkovich tem o objetivo de ser utilizada em uma potencial troca de prisioneiros, dado o contexto de tensões entre Moscou e Washington devido ao conflito em curso na Ucrânia.

O Wall Street Journal manifestou publicamente sua indignação com a condenação e afirmou que continuará pressionando pela libertação de Gershkovich. Em um comunicado, o editor do jornal, Almar Latour, e a editora-chefe Emma Tucker descreveram a condenação como “vergonhosa e falsa”, ressaltando que o jornalista esteve detido injustamente por 478 dias, longe de sua família e amigos, e impedido de exercer sua função jornalística.

Ex-correspondente da agência AFP em Moscou, Gershkovich está preso na Rússia há quase 16 meses. O julgamento, que começou em 26 de junho de 2023, teve sua terceira audiência realizada recentemente. A segunda audiência, originalmente agendada para agosto, foi antecipada para 18 de outubro a pedido da defesa. Julgamentos semelhantes na Rússia costumam se prolongar por semanas ou meses.

Gershkovich é o primeiro jornalista ocidental a ser acusado de espionagem na Rússia desde o período soviético. Sua detenção gerou solidariedade na imprensa americana e europeia, e a Rússia admitiu estar negociando sua possível libertação. O presidente russo, Vladimir Putin, mencionou o caso de Vadim Krasikov, preso na Alemanha, como parte das negociações.

O repórter, filho de pais russos e ucranianos que fugiram da União Soviética para os Estados Unidos, se estabeleceu na Rússia em 2017. Em junho de 2023, a Casa Branca classificou o julgamento como uma “farsa” e insistiu que Gershkovich nunca trabalhou para o governo americano. Além disso, um painel de especialistas da ONU declarou a detenção como arbitrária e pediu a libertação imediata do jornalista.

Gershkovich, que trabalha fluentemente em russo, expressou resignação quanto à possibilidade de condenação, conforme evidenciado em suas correspondências com familiares e amigos. Ele ingressou no Wall Street Journal após passagens pelo Moscow Times e pela AFP, e sua decisão de permanecer na Rússia após a eclosão da guerra em 2022 foi marcada por sua determinação em relatar os eventos em curso, apesar dos riscos envolvidos.

*Com informações da RFI.


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