Troca histórica de prisioneiros entre Estados Unidos e Rússia marca nova etapa nas relações diplomáticas

Os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, e da Rússia, Vladimir Putin, supervisionaram pessoalmente a troca de prisioneiros que envolveu cidadãos de vários países, em uma das mais significativas operações diplomáticas desde o fim da Guerra Fria. O evento, que aconteceu na pista de um aeroporto em Ancara, na Turquia, resultou na libertação de 26 pessoas, incluindo americanos, russos e outros ocidentais presos na Rússia. A troca foi descrita como um marco nas relações entre os dois países, mas também gerou debates sobre as consequências de tais negociações para a política internacional.

Os prisioneiros libertados pelos Estados Unidos chegaram à base militar de Andrews, perto de Washington, onde foram recebidos pelo presidente Joe Biden, pela vice-presidente Kamala Harris e por familiares. Entre os libertados estavam Paul Whelan, ex-fuzileiro naval, e Evan Gershkovich, jornalista do Wall Street Journal, ambos detidos na Rússia sob acusações de espionagem. Também foram libertados a jornalista russo-americana Alsu Kourmasheva e o ativista russo Vladimir Kara-Murza. A chegada dos prisioneiros foi transmitida ao vivo pelo site e pelas redes sociais da Casa Branca.

Joe Biden classificou o dia como “histórico e feliz”, destacando a libertação dos prisioneiros como uma vitória política significativa, especialmente com a proximidade do término de seu mandato presidencial. No entanto, a troca também foi alvo de críticas de alguns senadores republicanos, que expressaram preocupação de que o acordo pudesse incentivar a Rússia a continuar detendo cidadãos americanos para utilizá-los como moeda de troca em futuras negociações.

A troca envolveu um total de 10 russos, incluindo dois menores, trocados por 16 ocidentais e russos que estavam detidos na Rússia. O governo turco afirmou que a operação de troca de prisioneiros, realizada em Ancara, foi uma das mais importantes dos últimos tempos e contou com a colaboração dos serviços de inteligência turcos.

Em Moscou, Vladimir Putin recebeu pessoalmente os prisioneiros russos que foram libertados nos Estados Unidos e em vários países europeus. A recepção foi realizada com grande formalidade, incluindo um tapete vermelho na saída do avião e uma fileira de soldados em posição de sentido. Entre os prisioneiros recebidos estava Anna Dultseva, uma espiã russa que havia sido detida na Eslovênia. Putin entregou flores a Dultseva e abraçou os outros prisioneiros, em um gesto que foi amplamente destacado pela mídia russa como uma demonstração de liderança e preocupação com o destino dos cidadãos russos.

A imprensa russa descreveu a troca como um evento histórico, destacando o número de países envolvidos, incluindo Estados Unidos, Alemanha, Polônia, Eslovênia e Noruega. O diário Moskovski Komsomolets destacou que Putin acolheu os prisioneiros como heróis, enquanto outros veículos, como Kommersant e Vedomosti, enfatizaram a complexidade e a importância diplomática da operação.

A troca também envolveu a libertação de Vadim Krasikov, um cidadão russo que havia sido condenado à prisão perpétua na Alemanha pelo assassinato de um ex-comandante separatista checheno em Berlim. A libertação de Krasikov foi uma exigência russa nas negociações, mas gerou controvérsia na Alemanha. O porta-voz do chanceler alemão Olaf Scholz reconheceu que a decisão de liberar Krasikov foi difícil, mas necessária para garantir a libertação de cidadãos alemães detidos na Rússia. A seção alemã da Anistia Internacional criticou a decisão, alertando que ela poderia reforçar o sentimento de impunidade em Moscou.

As negociações entre Berlim, Moscou e Washington duraram meses, com a Alemanha inicialmente relutante em aceitar a libertação de Krasikov. No entanto, a condenação de Evan Gershkovich a 16 anos de prisão em junho reacendeu as discussões e levou a Alemanha a reconsiderar sua posição, permitindo a troca como uma forma de garantir a libertação de seus cidadãos. Além de Krasikov, a troca permitiu a libertação de quatro cidadãos alemães presos na Rússia e de um quinto alemão que estava sob custódia em Belarus, aliado da Rússia.

*Com informações da RFI.


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