A Acelen, empresa de energia vinculada ao fundo Mubadala Capital dos Emirados Árabes Unidos, anunciou a implantação de seu primeiro projeto de biorrefinaria no Brasil. O investimento, avaliado em US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16,5 bilhões), será direcionado para a construção de um complexo industrial em Mataripe, na Bahia, próximo à refinaria que o grupo adquiriu da Petrobras há pouco mais de dois anos.
O Projeto de Biorrefinaria
O empreendimento contará com um centro de tecnologia denominado Acelen Agripark, voltado para o desenvolvimento de combustíveis renováveis. A expectativa é que o projeto atraia o interesse de companhias estrangeiras e fundos nacionais, ampliando o impacto econômico na região. Para viabilizar a iniciativa, a empresa já está em fase final de negociação com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), visando à obtenção de um empréstimo de R$ 250 milhões, com aprovação já confirmada e liberação prevista para as próximas semanas.
O projeto representa uma das principais apostas do Mubadala Capital no Brasil, refletindo o crescente interesse por soluções de transição energética. A biorrefinaria será capaz de produzir diesel verde e combustível sustentável de aviação (SAF), utilizando como principal matéria-prima o óleo extraído da macaúba, planta nativa do Brasil. A produção inicial será complementada com óleo de soja e gordura animal, até que a produção de macaúba atinja níveis satisfatórios.
Produção e Sustentabilidade
O processo de cultivo da macaúba ocorrerá em terras degradadas, distribuídas em cinco lotes entre Minas Gerais e Bahia, totalizando 180 mil hectares. A previsão é que a unidade comece a operar em 2027, com a produção crescendo gradualmente ao longo dos anos, conforme as plantações de macaúba amadureçam. Quando em plena operação, a biorrefinaria terá capacidade para produzir 1 milhão de litros de biocombustível por ano.
O plano da Acelen vai além das fronteiras nacionais, uma vez que a empresa já estuda a construção de outras quatro biorrefinarias no Brasil, com o objetivo de exportar os biocombustíveis produzidos. A estratégia da empresa inclui negociações com fabricantes de aeronaves e companhias aéreas, alinhando-se ao Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação, que prevê a redução de 1% nas emissões das companhias aéreas a partir de 2027.
Relação com a Petrobras e Investimentos Adicionais
A iniciativa da Acelen ocorre em meio a conversas em andamento entre o Mubadala Capital e a Petrobras, sobre a possível revenda da Refinaria de Mataripe. A refinaria, que representa cerca de 14% da capacidade de produção de combustíveis no Brasil, passou por um processo de due diligence realizado pela estatal, que levantou mais de 8 mil questionamentos. No entanto, as negociações desaceleraram após a nomeação de Magda Chambriard para a presidência da Petrobras, que afirmou que a recompra da refinaria não é uma prioridade.
Apesar da incerteza quanto à participação da Petrobras, a Acelen segue firme em seus planos de transição energética. A empresa também está investindo R$ 500 milhões na construção de um parque solar, que abastecerá a refinaria em Mataripe. O projeto de energia solar está previsto para ser concluído em 2026, reforçando o compromisso da Acelen com a sustentabilidade e a diversificação de suas fontes de energia.
Desafios e Críticas
O processo de negociação da refinaria envolve questões regulatórias e concorrenciais. A Acelen entrou com um processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) questionando os preços de venda de petróleo praticados pela Petrobras. Além disso, a Refina Brasil, associação do setor, criticou recentemente as ações do Ministério de Minas e Energia, que questionaram as políticas de preços das refinarias privadas, argumentando que essas práticas seguem as cotações internacionais do petróleo.
A Refina Brasil afirmou que o ministério não levou em consideração os pedidos de correção de distorções regulatórias, que dificultam a aquisição de petróleo a preços competitivos. O desenrolar dessas negociações e processos poderá impactar significativamente o mercado de combustíveis no Brasil, bem como o futuro dos investimentos em biorrefinarias no país.
Mataripe, chegou a operar, em alguns períodos, com metade da capacidade instalada. E tem cobrado, em média, gasolina e diesel cerca de 8% mais caros do que os da Petrobras. No gás de cozinha, os preços são até 40% maiores.
*Com informações do Jornal O Globo.









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