Nesta segunda-feira (05/08/2024), Volker Turk, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, emitiu um alerta sobre o risco iminente de agravamento do conflito no Oriente Médio. O apelo foi feito em um momento crítico, com o aumento das tensões e da violência na região. Turk expressou profunda preocupação com a situação, que ele descreveu como “muito precária”, e solicitou que todas as partes envolvidas, bem como os Estados com influência sobre elas, atuem com urgência para evitar um conflito de maiores proporções.
Em sua declaração, Turk destacou a importância da proteção dos civis, afirmando que este deve ser o principal foco das ações no conflito. Nos últimos dez meses, os civis, em sua maioria mulheres e crianças, têm sofrido com as consequências devastadoras das hostilidades, enfrentando bombas e armas em um cenário de violência contínua. Turk alertou para o risco de a situação se transformar em um “abismo com consequências terríveis”, caso não sejam tomadas medidas imediatas para acalmar as tensões e proteger a população.
Paralelamente às declarações de Turk, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulgou uma análise recente sobre os impactos do conflito nas infraestruturas agrícolas da Faixa de Gaza. De acordo com os dados, mais de 57% das terras agrícolas da região foram destruídas, assim como 33% das estufas, poços e painéis solares. A destruição das infraestruturas agrícolas levou à morte de cerca de 70% do gado desde outubro de 2023, resultando em uma grave escassez de alimentos e água para a população local.
A situação é ainda mais crítica devido à destruição de cerca de 70% da frota pesqueira de Gaza, deixando apenas atividades de pequena escala em funcionamento, quando as condições de segurança permitem. A Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC) publicou dados indicando que, até setembro de 2024, cerca de 96% da população de Gaza enfrentará altos níveis de insegurança alimentar aguda. Cerca de meio milhão de pessoas estão em risco de morrer de fome, representando uma em cada cinco pessoas no enclave.
Em resposta à crise alimentar, a FAO, com o apoio dos governos da Bélgica, Itália e Noruega, tem fornecido forragem de cevada para proteger os animais sobreviventes em Gaza e aumentar a produção de leite, especialmente de ovelha e cabra. Esses produtos lácteos são cruciais para atender às necessidades nutricionais das crianças, oferecendo proteínas de alta qualidade e ácidos graxos essenciais. A organização também tem ajudado os agricultores locais com suprimentos essenciais para restaurar os meios de subsistência e garantir a segurança alimentar.
Contudo, a capacidade da FAO e de outras organizações humanitárias de prestar assistência depende de fatores críticos, como o estabelecimento de um cessar-fogo duradouro e o acesso desimpedido à região. Antes do conflito, Gaza era amplamente autossuficiente na produção de vegetais, laticínios, aves e peixes, além de produzir grande parte da carne vermelha e frutas consumidas pela população. O conflito em curso, no entanto, devastou as terras agrícolas e paralisou as atividades produtivas, levando o sistema agroalimentar da região ao colapso.
*Com informações da ONU News.








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