O ex-policial militar Ronnie Lessa confirmou, nesta quarta-feira (28/08/2024), que recebeu informações antecipadas sobre a operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro que resultou em sua prisão pela suspeita de participação no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em 2018. Lessa prestou depoimento virtual pelo segundo dia consecutivo no âmbito da ação penal conduzida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que avalia a participação dos irmãos Brazão e outros acusados como mandantes do crime.
De acordo com Lessa, ele recebeu uma mensagem de WhatsApp por volta das 23h da noite anterior à sua prisão, que ocorreu em março de 2019, um ano após o assassinato. A mensagem, enviada por Jomarzinho, filho de um policial federal aposentado com supostas conexões com os irmãos Brazão, alertava sobre a iminente operação policial. Lessa afirmou:
“A pessoa que passou as mensagens era filho de um [ex] policial federal. A mensagem dizia: vai ter operação para prender os envolvidos no caso Marielle”.
Apesar do aviso prévio, Lessa foi detido porque a operação foi antecipada e realizada por volta das 5h. No momento da chegada dos policiais, Lessa estava prestes a deixar o condomínio onde residia na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Durante o depoimento, Lessa também afirmou que o planejamento do assassinato de Marielle Franco visava evitar a classificação do crime como político. Segundo ele, o objetivo era impedir que a Polícia Federal (PF) assumisse a investigação, que ficaria a cargo da Polícia Civil sob a direção de Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil e um dos acusados no STF.
Lessa declarou: “Crime político seria direcionado para a Polícia Federal. Não sabia que a Polícia Federal poderia investigar.”
Lessa detalhou ainda que monitorou o endereço do ex-marido de Marielle, localizado na Rua do Bispo, no Rio, para verificar se a vereadora ainda frequentava o local e realizar o ataque. Após descobrir que Marielle não residia mais ali, o monitoramento foi transferido para a Casa das Pretas, no bairro da Lapa, onde o assassinato ocorreu. Segundo Lessa, houve uma exigência dos mandantes para que o crime não ocorresse próximo à Câmara de Vereadores para não chamar a atenção para os parlamentares.
O ex-policial também mencionou ter sido incentivado pela promessa dos irmãos Brazão de receber dois terrenos na Zona Oeste do Rio, avaliados em R$ 25 milhões, como recompensa pelo crime.
Lessa observou: “Todos nós devemos ter ambição, mas a ambição tem um limite. Apesar de ser uma ambição cega e criminosa, eu fui contagiado com isso.”
Atualmente, Ronnie Lessa está preso na penitenciária do Tremembé, em São Paulo, e participou do depoimento por videoconferência ao juiz auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo. O processo inclui como réus Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), seu irmão Chiquinho Brazão, deputado federal (Sem Partido-RJ), o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa e o major da Polícia Militar Ronald Paulo de Alves Pereira. Todos enfrentam acusações de homicídio e organização criminosa e permanecem detidos. Cerca de 70 testemunhas devem prestar depoimento, e os depoimentos dos réus ocorrerão ao final do processo.
*Com informações da Agência Brasil.










Deixe um comentário