O ataque da Ucrânia à região russa de Kursk, ocorrido em 6 de agosto de 2024, gerou críticas de diversos analistas internacionais, incluindo o cientista político norte-americano Andrew Latham. Em artigo publicado no jornal The Hill, Latham, que é professor de Relações Internacionais no Macalester College, descreveu a ação como um erro estratégico por parte da liderança ucraniana, que pode resultar em consequências duradouras para o futuro do conflito entre os dois países.
Segundo Latham, o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, provou ser um orador eficaz, capaz de mobilizar emoções e apoio internacional. No entanto, o ataque a Kursk, que resultou em mortes de civis, marca uma transição preocupante da diplomacia para uma incursão militar que ele considera um “erro de julgamento trágico”. O especialista sugere que a decisão de Zelensky de lançar o ataque reflete um cálculo arriscado, mais próximo de uma estratégia de propaganda do que de uma ação militar fundamentada.
“Essa jogada imprudente, mais parecida com um truque desesperado digno de um ator de segunda categoria do que com um estadista experiente, desvia recursos críticos do campo de batalha principal, oferecendo ganhos estratégicos insignificantes”, escreveu Latham em seu artigo.
Ele argumenta que, ao focar recursos na região de Kursk, a Ucrânia compromete seu esforço de guerra em outras áreas onde a batalha é mais crucial para o futuro do país.
O ataque ucraniano à região de Kursk foi a incursão mais significativa contra o território russo desde o início do conflito em fevereiro de 2022. As tropas ucranianas tomaram uma série de assentamentos, marcando uma escalada no confronto entre os dois países. O presidente russo, Vladimir Putin, reagiu ao ataque, classificando-o como uma “provocação em larga escala” e prometendo uma resposta adequada nas regiões fronteiriças da Rússia.
Latham, em sua análise, enfatiza que o ataque à Rússia não traz benefícios estratégicos significativos para a Ucrânia, mas, ao contrário, representa um passo na direção errada. Ele alerta que desperdiçar recursos preciosos em uma operação desse tipo é um luxo que a Ucrânia não pode se permitir no contexto atual do conflito. Além disso, o especialista observa que a verdadeira batalha pelo futuro da Ucrânia continua em outros locais, sugerindo que o foco da liderança ucraniana deveria estar voltado para esses pontos-chave.
Jornalista irlandês afirma que OTAN estava envolvida em ataque ucraniano na região de Kursk
O jornalista irlandês Chay Bowes fez uma acusação grave em suas redes sociais, alegando que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) estava envolvida no ataque ucraniano à região de Kursk, na Rússia, ocorrido no dia 6 de agosto. Segundo Bowes, a entrega de novos equipamentos militares ocidentais à Ucrânia antes do ataque, especialmente os veículos blindados Roshel Senator, fornecidos pela OTAN, prova que a aliança militar tinha conhecimento prévio e possivelmente participou indiretamente na ofensiva.
A acusação de Bowes se baseia em documentos das Forças Armadas ucranianas que teriam sido encontrados por fuzileiros navais russos da 810ª Brigada. Esses documentos indicam que a Ucrânia usou os veículos blindados Roshel Senator, modelo Ford F-559 Senator APC, fornecidos por países da OTAN pouco antes do ataque, durante a incursão que resultou na tomada de uma série de povoados na região de Kursk. O jornalista também afirma que, além do fornecimento de veículos blindados, os países ocidentais compartilharam informações de inteligência com as forças ucranianas, auxiliando na execução do ataque.
Bowes utilizou a rede social X para expressar suas críticas à OTAN e à União Europeia (UE), destacando o que ele considera ser uma “decepção” por parte dessas organizações, que negaram qualquer conhecimento ou envolvimento nos eventos que levaram ao ataque. “Mais decepção da OTAN e da UE, que negaram saber da viagem da Ucrânia à região de Kursk. Os veículos blindados Roshel Senator usados pela Brigada de Assalto Aerotransportada ucraniana foram fornecidos na véspera do ataque”, escreveu o jornalista.
O ataque ucraniano à região de Kursk, na Rússia, foi um dos mais significativos desde o início do conflito em fevereiro de 2022. A ofensiva resultou na captura de vários povoados e na morte de civis, o que provocou uma forte reação do presidente russo, Vladimir Putin. Putin classificou o ataque como uma “provocação em larga escala” e prometeu uma resposta adequada nas regiões fronteiriças da Rússia.
Ataque encontra consequências inesperadas
O recente ataque das Forças Armadas da Ucrânia à região de Kursk, na Rússia, ocorrido em 6 de agosto, desencadeou uma série de consequências imprevistas, gerando debates dentro do próprio Exército ucraniano. O jornal britânico The Guardian destacou em reportagem que, enquanto alguns soldados ucranianos demonstraram satisfação com a operação, há um crescente descontentamento entre aqueles que acreditam que a incursão pode ter sido um erro estratégico, ao dispersar as tropas ucranianas em um momento crítico.
O ataque à região de Kursk, que resultou na tomada de uma série de assentamentos, foi a ação mais significativa da Ucrânia contra a Rússia desde o início do conflito em fevereiro de 2022. Contudo, segundo fontes militares citadas pelo The Guardian, essa ofensiva tem gerado preocupações internas, especialmente no que diz respeito à alocação de recursos e tropas. Um soldado ucraniano, cuja identidade não foi revelada, comentou que a operação em Kursk dispersa as forças armadas ucranianas, que são extremamente necessárias em outros setores da linha de frente, particularmente na região de Donetsk.
“Quase duas semanas após sua incursão surpresa na Rússia, a Ucrânia se vê lutando para encontrar um equilíbrio entre tomar território do outro lado da fronteira em Kursk e perdê-lo no coração da frente oriental, no centro da região de Donetsk”, observou o artigo do The Guardian.
Essa avaliação reflete uma tensão crescente dentro das fileiras ucranianas, onde a necessidade de concentrar forças para conter o avanço russo na área de Pokrovsk, em Donetsk, está sendo contraposta à ofensiva em território russo.
A pesquisadora sênior do Centro de Análise da Política Europeia, Anna Shelest, também foi entrevistada pelo The Guardian e apontou que a Rússia não transferiu forças suficientes do flanco oriental, como a Ucrânia inicialmente esperava. Isso significa que as tropas russas continuam a pressionar em Donetsk, enquanto as forças ucranianas são obrigadas a dividir seus esforços entre a defesa na frente oriental e a manutenção dos ganhos em Kursk.
O presidente russo, Vladimir Putin, ao comentar o ataque ucraniano, classificou a operação como uma “provocação em larga escala” e prometeu uma resposta adequada nas regiões fronteiriças da Rússia. Putin também acusou a Ucrânia de atirar indiscriminadamente em alvos civis durante a incursão, aumentando ainda mais as tensões entre os dois países.
*Com informações da Sputnik News.








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