O fundador do Telegram, Pavel Durov, foi preso ao chegar no aeroporto Le Bourget, ao norte de Paris, na noite de sábado (24/08/2024), após um voo de Baku, capital do Azerbaijão. Durov, de 39 anos, tinha planejado passar pelo menos uma noite em Paris antes de comparecer ao tribunal francês no domingo (25). A detenção ocorre em decorrência de um mandado de busca emitido por investigadores franceses que apuram crimes relacionados ao uso do aplicativo de mensagens criptografadas.
O Ministério Público de Paris, procurado pela agência AFP, não divulgou detalhes sobre o procedimento da investigação. Contudo, o escritório especializado em crimes contra menores (Ofmin) emitiu um mandado de busca contra Durov, que possui uma fortuna estimada em US$ 15,5 bilhões. A investigação preliminar envolve crimes que poderiam ter sido facilitados pelo Telegram, como fraude, tráfico de drogas, assédio cibernético, crime organizado e apologia ao terrorismo. A Justiça alega que Durov não tomou medidas suficientes para moderar o conteúdo criminoso em sua plataforma e não colaborou com as investigações.
Um dos investigadores expressou surpresa pelo fato de Durov ter viajado para Paris sabendo da investigação em curso. A detenção gerou uma série de reações internacionais. Elon Musk, proprietário da plataforma X (antigo Twitter), postou uma mensagem de apoio sob a hashtag “#FreePavel”. O ex-candidato à presidência dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., também expressou preocupações sobre a liberdade de expressão.
A Rússia, onde o Telegram é amplamente utilizado, reagiu com um protesto formal. Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, mencionou a mobilização da embaixada russa em Paris e criticou a falta de cooperação das autoridades francesas. A embaixada russa exigiu esclarecimentos sobre a detenção e o acesso consular para Durov.
Pavel Durov, que deixou a Rússia em 2014 após vender a rede social VK e enfrentar pressões do regime russo, estabeleceu-se em Dubai, elogiando o ambiente de negócios e a “neutralidade” dos Emirados Árabes Unidos. O Telegram, lançado em 2013, posiciona-se contra a exploração comercial de dados pessoais e se compromete a proteger a privacidade dos usuários. No entanto, o aplicativo tem enfrentado críticas por permitir a disseminação de conteúdos ilegais e extremistas.
A comissária russa de direitos humanos, Tatiana Moskalkova, acusou a detenção de Durov de representar uma tentativa de fechar uma plataforma que oferece acesso a informações críticas. Dmitri Medvedev, ex-presidente russo, alertou Durov sobre possíveis problemas internacionais devido à sua posição sobre privacidade, observando que Durov subestimou as complicações que enfrentaria.
*Com informações da RFI.
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