Gaza: Ordens de evacuação forçada em Deir al-Balah provocam pânico e escassez de recursos

Na segunda-feira (26/08/2024), o posto de comando central da Organização das Nações Unidas (ONU) em Deir al-Balah, na Faixa de Gaza, foi forçado a interromper suas operações devido às recentes ordens de evacuação forçada emitidas pelas forças israelenses. Esta medida ocorre pela primeira vez desde o início do conflito entre Israel e Hamas, gerando um cenário de pânico entre a população local e esgotamento das equipes humanitárias, conforme relata a reportagem da RFI.

Desde o início de agosto, Israel emitiu 16 ordens de evacuação forçada, resultando na redução da presença de refugiados palestinos para apenas 11% da Faixa de Gaza. Esta superlotação e o deslocamento contínuo de civis têm colocado a ONU em uma situação de alerta, uma vez que a organização não consegue mais coordenar suas operações com segurança. Carrie Nooten, correspondente da RFI em Nova York, relata a crescente dificuldade de garantir assistência adequada devido às condições caóticas.

Louise Wateridge, representante da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA), destaca a situação precária dos deslocados, que enfrentam condições adversas e falta de recursos básicos.

“Há pessoas construindo paredes de areia para evitar a entrada da água do mar em seus abrigos improvisados. A presença de escorpiões, mosquitos, ratos e cobras agrava ainda mais a situação”, afirma Wateridge.

Os deslocamentos forçados têm sobrecarregado as equipes humanitárias, que enfrentam dificuldades para manter suas operações. A ONU solicita que Israel garanta a segurança do pessoal humanitário, conforme previsto pelas normas internacionais de conflitos armados. A responsabilidade de proteger as equipes humanitárias recai sobre as partes envolvidas no conflito.

Após a ordem de evacuação, cerca de 250 mil das quase um milhão de pessoas que vivem em Deir al-Balah foram forçadas a se deslocar para áreas a oeste, em busca de segurança. Federica Iezzi, cirurgiã pediátrica da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) que atua no hospital al-Aqsa, relata que, após uma explosão próxima ao hospital, muitos civis deslocados que haviam montado suas tendas ao redor da instituição também fugiram. O hospital enfrenta uma situação crítica, com cortes frequentes de energia e uma capacidade reduzida de atendimento devido ao grande número de feridos e pacientes em estado grave.

“Dos aproximadamente 600 pacientes, apenas uma centena permanece. A situação no hospital é marcada pela ansiedade e preocupação constante, com recursos humanos e materiais severamente limitados. O ambiente é de extrema tensão diante da ameaça iminente”, conclui Iezzi.

*Com informações da RFI.


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