ONU condena declarações de ministro israelense sobre fome em Gaza como incitação ao ódio

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, critica declarações de ministro israelense que defende a fome como método de guerra.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, critica declarações de ministro israelense que defende a fome como método de guerra.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, expressou profunda preocupação com declarações recentes feitas pelo ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, em relação à situação humanitária em Gaza. As palavras do ministro, que sugeriram a justificação da fome como método de guerra, foram amplamente condenadas por organizações internacionais e levantaram questões sobre as implicações éticas e legais de tais afirmações.

Em declarações à imprensa, Turk afirmou estar “chocado” com as palavras de Smotrich, que sugeriu que a fome de civis poderia ser uma tática moralmente justificável para libertar reféns. O alto comissário enfatizou que o uso da fome como método de guerra é considerado um crime de guerra de acordo com o direito internacional, e que tais declarações incitam ao ódio contra civis inocentes.

A porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Liz Throssell, transmitiu a mensagem de Turk, reiterando que a punição coletiva do povo palestino e o uso da fome como arma são inaceitáveis. Jeremy Laurence, também porta-voz da ONU, alertou que declarações públicas como essa podem incitar outros crimes graves, e ressaltou a importância de investigar tais comentários. Caso sejam considerados crimes, os responsáveis devem ser processados e punidos de acordo com as normas internacionais.

Paralelamente a essa situação, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (Unrwa) tem acompanhado de perto as consequências das ordens de evacuação recentes em Gaza, especialmente na área de Khan Younis. A especialista sênior de comunicações da Unrwa, Louise Wateridge, relatou que centenas de famílias estão sendo forçadas a fugir com poucos pertences, muitas vezes a pé, em condições extremas.

Wateridge descreveu cenas de crianças carregando mochilas pesadas, algumas com menos de 10 anos, outras completamente sozinhas. Sob calor intenso, essas famílias percorrem longas distâncias sem acesso adequado a água, alimentos ou abrigo. A representante da Unrwa destacou que o medo, a ansiedade e a desesperança são visíveis nos rostos dessas pessoas, refletindo o drama humanitário em curso.

Além disso, a Unrwa está coordenando esforços com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para iniciar uma campanha de vacinação contra a poliomielite em Gaza. Wateridge afirmou que, embora a campanha seja urgente, as contínuas ordens de evacuação e a falta de segurança dificultam a implementação das medidas de saúde pública.

A expectativa é que a campanha de vacinação comece ainda em agosto, mas a Unrwa e outras agências humanitárias têm insistido na necessidade de um cessar-fogo ou, no mínimo, uma pausa humanitária para garantir o sucesso da iniciativa. Wateridge reforçou o compromisso da Unrwa em liderar esses esforços, mas alertou que sem um ambiente seguro, a imunização das crianças de Gaza será extremamente desafiadora.

*Com informações da ONU News.


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