Seminário em Camamu debate os impactos da mineração nas comunidades pesqueiras do Baixo Sul da Bahia

Nos dias 04 e 05 de setembro de 2024, a cidade de Camamu sediará o seminário “A Mineração – Impactos e Desafios para o Território do Baixo Sul”, evento que reúne pescadores, marisqueiras, quilombolas e diversas organizações sociais para discutir os efeitos da mineração nas comunidades tradicionais da região. O encontro ocorrerá na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Camamu e contará com a participação de representantes de comunidades impactadas e especialistas no tema.

As comunidades tradicionais, em especial as pesqueiras e quilombolas, vêm enfrentando uma série de desafios devido à exploração mineral desordenada. A atividade mineradora tem gerado degradação ambiental, conflitos violentos e restrições à mobilidade, afetando diretamente a pesca e a mariscagem, atividades fundamentais para a subsistência dessas populações. Em resposta a esses desafios, o seminário foi organizado com o objetivo de promover um espaço de debate e construção de estratégias de resistência.

Organização e mobilização social

O seminário é uma iniciativa do Conselho Pastoral dos Pescadores Bahia-Sergipe (CPP Ba-Se), em parceria com KOINONIA, Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP), Comissão Pastoral da Terra (CPT-BA) e Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE). A mobilização social envolve comunidades de diversos territórios impactados pela mineração, como Pedra Rasa, Barroso, Tapuia, Maraú, Pratigi/Matapera, Ilha do Tanque, Barcelos e Cajazeiras.

Essas comunidades têm sido alvo de invasões por parte de empresas e grileiros, que, em busca de lucros, desconsideram os direitos territoriais e culturais das populações locais. O evento busca, portanto, não apenas expor as situações enfrentadas, mas também capacitar os participantes com informações e estratégias para enfrentar os desafios impostos pela mineração.

Debates e ações propostas

Durante o seminário, serão realizadas mesas de debates que abordarão temas cruciais como o estudo sobre mineração no Sul e Baixo Sul da Bahia, o papel do poder público na regulação da atividade mineradora, e os casos específicos de impactos nas comunidades afetadas. Especialistas e representantes de organizações sociais compartilharão seus conhecimentos e experiências, buscando construir uma compreensão abrangente dos desafios e identificar soluções possíveis.

Além das exposições técnicas e discussões, os participantes irão elaborar propostas de ação conjunta e redigir uma moção ou carta de intenções, a ser apresentada aos representantes do poder público. O documento terá como objetivo formalizar as demandas das comunidades e cobrar respostas das autoridades competentes.

Participação de autoridades e entidades

Para ampliar o alcance das discussões e garantir que as demandas das comunidades sejam ouvidas, foram convidados representantes de diversas instituições públicas, incluindo a Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), o Serviço Territorial de Apoio à Agricultura Familiar (SETAF/Ba), a Coordenação de Comunidades Tradicionais da SEPROMI, a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA) e o Grupo de Pesquisa Geografar da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

A presença dessas entidades é vista como fundamental para o diálogo entre as comunidades e o poder público, especialmente no que diz respeito à implementação de políticas que assegurem a preservação ambiental e o respeito aos direitos das comunidades tradicionais.

Agenda de Atividades: Seminário “A Mineração – Impactos e Desafios para o Território do Baixo Sul”

04 de setembro – Manhã:

  • 08h00 às 08h30: Boas-vindas e apresentação das organizações realizadoras.
  • 08h30 às 10h00: Mesa 1 – “Estudo Sobre Mineração no Sul e Baixo Sul”
    • Falas do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).
    • Falas da Comissão Pastoral da Terra regional Bahia (CPT Ba – município de Caetité).
  • 10h00 às 10h30: Intervalo.
  • 10h30 às 12h00: Momento de Partilha – Troca de experiências entre as comunidades participantes.

04 de setembro – Tarde:

  • 14h00 às 15h30: Mesa 2 – “Casos e Impactos”
    • Apresentações dos representantes das comunidades afetadas pelas minerações.
    • Discussão sobre os casos de Caetité, Tancredo Neves, Camamu, Ilhéus (Porto Sul e Ferrovia de Integração Oeste-Leste – Fiol 1).
  • 15h30 às 16h00: Intervalo.
  • 16h00 às 17h30: Mesa 3 – “O Papel do Poder Público na Mineração”
    • Discussão sobre a responsabilidade e atuação do poder público em relação à mineração na região.

05 de setembro – Manhã:

  • 08h00 às 10h00: Estratégias das Comunidades de Incidência para Enfrentamento da Mineração.
    • Discussão e planejamento de ações conjuntas para resistir aos impactos da mineração.
  • 10h00 às 10h30: Intervalo.
  • 10h30 às 12h00: Elaboração de Moção ou Carta de Incidências.
    • Redação de documento com propostas e demandas, a ser apresentado aos representantes do poder público.
Mineração de areia no quilombo de Pratigi, em Camamu.
Mineração de areia no quilombo de Pratigi, em Camamu.
Vista de mangue na região de Camamu.
Vista de mangue na região de Camamu.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading