Na abertura do Congresso Aço Brasil, realizado nesta segunda-feira (05/08/2024), o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, abordou a questão da taxa de juros no Brasil, que atualmente é a segunda maior taxa de juros real do mundo. Alckmin afirmou que, apesar dos fundamentos sólidos da economia, não há justificativa para a manutenção dessa posição, que, segundo ele, só é superada pela Rússia, país que enfrenta uma guerra.
Durante seu discurso, Alckmin destacou alguns dos principais fatores que evidenciam a solidez da economia brasileira. Entre eles, mencionou as reservas cambiais de aproximadamente US$ 370 bilhões, a segurança jurídica do país, a amplitude do mercado consumidor e o recorde de exportações. Ele apontou que esses elementos deveriam ser suficientes para que o Brasil desfrutasse de condições econômicas mais favoráveis, incluindo taxas de juros mais baixas.
Alckmin também enfatizou a importância do ajuste fiscal e reafirmou o compromisso do governo com o cumprimento do arcabouço fiscal. A expectativa, segundo ele, é que a política fiscal seja rigorosamente seguida e que isso contribua para a redução das taxas de juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, criando um ambiente propício para o crescimento econômico nacional.
“O mercado internacional enfrenta um grande estresse que deve ser passageiro. O Brasil tem a sexta maior população do mundo, um mercado interno forte e recorde de exportações. Por isso, não tem razão o Brasil ter a segunda maior taxa de juros real do mundo. Isso atrapalha muito”, declarou Alckmin.
No mês passado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic, os juros básicos da economia, em 10,5% ao ano. A decisão de manter a taxa em um nível elevado foi recebida com críticas por setores do governo e da indústria, que argumentam que a política monetária restritiva dificulta o crescimento econômico e a recuperação dos setores produtivos.
Indústria do aço
Alckmin também abordou a importância da indústria do aço no desenvolvimento econômico do país. Em seu discurso, ele ressaltou que a indústria do aço, chamada por ele de “indústria das indústrias”, tem estado na vanguarda da inovação e é essencial para o progresso econômico e social. O presidente em exercício destacou a Nova Indústria Brasil, política instituída pelo governo federal, como um avanço significativo para o setor industrial.
O ministro anunciou que, nos próximos dias, estarão disponíveis no mercado as Letras de Crédito do Desenvolvimento (LCD), instrumentos financeiros que têm como objetivo baratear o custo do crédito para as indústrias. As LCDs seguirão o modelo das Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), nas quais os investidores pessoa física são isentos do pagamento de imposto de renda sobre os rendimentos.
Alckmin também mencionou o Programa Mover, que prevê investimentos de R$ 100 bilhões até 2028 para a descarbonização da indústria brasileira. Ele destacou que o Brasil já emite 55% menos gás carbônico em comparação com outros países, graças ao seu potencial energético, e que esses investimentos contribuirão para que o país continue a reduzir suas emissões de carbono.
De acordo com dados do Instituto Aço Brasil, a produção de aço bruto no país atingiu 16,4 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2024, representando um crescimento de 2,4% em relação ao mesmo período de 2023. Entretanto, em 2023, a produção totalizou 31,9 milhões de toneladas, o que representou uma queda de 6,5% em comparação com o ano anterior.
*Com informações da Agência Brasil.








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