A Alemanha iniciou nesta segunda-feira (16/09/2024), o controle temporário de todas as suas fronteiras terrestres, uma medida que se estenderá por no mínimo seis meses. A decisão tem como objetivo enfrentar a imigração irregular e a entrada de criminosos no país. Os controles serão implementados nas fronteiras com França, Luxemburgo, Holanda, Bélgica e Dinamarca, além das já existentes com Suíça, Áustria, República Tcheca e Polônia.
O chanceler Olaf Scholz defendeu a medida em um comício realizado em Brandemburgo no último sábado, 14 de setembro. Scholz destacou que os controles já em vigor nas fronteiras com Suíça, Áustria, República Tcheca e Polônia se mostraram eficazes, resultando na detecção de mais de 30 mil pessoas que tentaram entrar ilegalmente na Alemanha.
O espaço Schengen, que permite a livre circulação entre 25 dos 27 Estados-membros da União Europeia desde 1995, possibilita a reintrodução temporária de controles em situações excepcionais, como durante a pandemia de Covid-19 ou após ataques terroristas.
O governo alemão justificou a medida como uma necessidade para proteger a segurança interna contra ameaças de terrorismo islâmico e criminalidade transfronteiriça, sendo considerada uma medida de “último recurso”. A decisão segue uma série de ataques recentes por imigrantes, incluindo o assassinato de um policial em Mannheim e um ataque na cidade de Solingen, reivindicado pelo Estado Islâmico.
Esses incidentes provocaram um aumento no apoio ao partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que teve sucesso nas recentes eleições regionais na Saxônia e na Turíngia. O AfD também lidera as pesquisas para as eleições regionais no estado de Brandemburgo, atualmente governado pela coalizão liderada pelos sociais-democratas de Scholz. A segurança e imigração são questões prioritárias para os eleitores.
A medida de controle fronteiriço gerou reações adversas de alguns países vizinhos. O premiê polonês Donald Tusk considerou a decisão “inaceitável” e pediu consultas urgentes com outros países da União Europeia. O governo austríaco também expressou preocupações semelhantes, principalmente em relação às possíveis longas filas e impactos no comércio entre países.
O governo alemão assegurou que os controles serão realizados de forma pontual e flexível para minimizar transtornos ao trânsito de pessoas e mercadorias. O clima anti-imigração na Alemanha tem se intensificado desde a crise de refugiados de 2015, com partidos de extrema direita e esquerda ganhando força, em meio a desafios econômicos e energéticos.
Além disso, a coalizão de governo enfrenta pressão da oposição conservadora, que defende uma política de migração mais rígida. Recentemente, a Alemanha retomou deportações para o Afeganistão e anunciou um pacote de leis para reduzir benefícios para requerentes de asilo e acelerar as expulsões.
*Com informações da RFI.
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