A Alemanha, considerada a locomotiva econômica da Europa, enfrenta desafios significativos que podem impactar a estabilidade econômica do continente. Recentemente, um incidente na cidade de Dresden, onde uma parte de uma das principais pontes desabou, ilustrou a fragilidade das infraestruturas e, metaforicamente, a situação econômica do país. O colapso da ponte exigiu esforços imediatos das equipes de engenharia, evidenciando preocupações com inundações devido à cheia do rio Elba, causada por intensas chuvas e neve precoce.
Este evento foi associado à realidade da economia alemã, que apresenta sinais de desabamento, refletindo uma crise que afeta outros países da Europa. A economia da Alemanha, a mais robusta do continente, tem sofrido uma série de reveses desde o início da pandemia de COVID-19, que impactou severamente o comércio, os serviços e os transportes. O fechamento de pequenos e médios estabelecimentos deu início a uma crise que rapidamente alcançou grandes lojas de departamentos. Apesar de a fase mais crítica da pandemia ter passado, o aumento das compras online alterou permanentemente o comportamento dos consumidores.
A situação se complicou ainda mais com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que exigiu da Alemanha o apoio financeiro e militar ao governo ucraniano, além da imposição de sanções econômicas contra a Rússia. A sabotagem dos gasodutos Nord Stream 1 e 2 em setembro de 2022 resultou na interrupção abrupta do fornecimento de gás russo, impactando gravemente a indústria alemã. A escassez de insumos agrícolas provenientes da Ucrânia, combinada com o aumento vertiginoso dos custos de energia e alimentos, levou a uma retração da economia.
De acordo com a analista Franciska Palma, da Capital Economics, a queda da economia alemã teve início em 2018 e se intensificou em 2020 e 2022, sem perspectivas de recuperação imediata. Em 2023, a economia do país contraiu-se em 0,3%, e as previsões para 2024 indicam crescimento nulo, com expectativas de melhorias apenas a partir de 2025.
Para lidar com a crise, o governo alemão busca promover setores como biotecnologia, tecnologias verdes, inteligência artificial e indústrias de defesa. No entanto, a política fiscal restritiva impede um aumento significativo da dívida pública, que deve permanecer abaixo de 0,35% do Produto Interno Bruto (PIB). Esta limitação gerou tensões na coalizão governamental, composta pelo Partido Social-Democrata (SPD), os Verdes e o Partido Democrata Livre (FDP). Apesar das tentativas dos Verdes e do SPD de flexibilizar essa meta, o FDP se opôs firmemente, mantendo a disciplina fiscal como condição para a permanência no governo.
Como resultado dessa situação, a Alemanha enfrenta um processo acelerado de desindustrialização, que também afeta outros países europeus. Entre julho de 2023 e julho de 2024, a produção industrial alemã caiu em 5,45%, uma queda superada apenas pela Hungria e pela Estônia. O recuo da produção industrial na Zona do Euro foi de 2,2%, enquanto na União Europeia, a queda foi de 1,7%.
Um indicativo agudo da crise foi a Volkswagen, uma das principais empresas do país, que anunciou a intenção de fechar unidades de produção para equilibrar suas contas, pela primeira vez em sua história. A montadora também rompeu um acordo trabalhista de 30 anos com o sindicato dos trabalhadores, o que deve desencadear uma intensa disputa, dado o papel significativo do sindicato no Conselho Diretor da empresa.
*Com informações da RFI.
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