Banco Central da China anuncia pacote econômico com foco no setor imobiliário e no consumo

O Banco Central da China anunciou, na terça-feira (24/09/2024), um pacote de medidas econômicas visando estimular o consumo e o mercado imobiliário, setores que vêm enfrentando dificuldades desde a pandemia. O país, mais de um ano após o relaxamento das restrições sanitárias, continua lidando com desafios econômicos, como uma crise imobiliária, elevado desemprego juvenil, retração no consumo das famílias e ameaças de deflação.

Entre as principais ações anunciadas está a redução do Índice de Reservas Obrigatórias (RRR), que determina a porcentagem de depósitos que os bancos precisam manter em reserva. A diminuição do RRR deve permitir que as instituições financeiras aumentem os empréstimos para o setor privado. A medida é uma tentativa de apoiar a economia real e facilitar o crédito para empresas, ampliando as condições de investimento e liquidez no mercado financeiro.

O governador do Banco Central, Pan Gongsheng, informou que a taxa de reserva será reduzida em 0,5 pontos percentuais, o que liberará cerca de 1 bilhão de yuans, aproximadamente R$ 778 bilhões, em liquidez de longo prazo para os mercados financeiros. Essa medida integra um conjunto de ações voltadas para revigorar a economia chinesa, que busca uma meta de crescimento do PIB de 5% em 2024, apesar das previsões mais cautelosas de economistas.

O Banco Central também anunciou a redução das taxas de juros de empréstimos hipotecários existentes no setor imobiliário. A expectativa é que essa ação beneficie cerca de 50 milhões de famílias e 150 milhões de pessoas. A queda das taxas deve estimular o consumo e o investimento, contribuindo para uma recuperação mais ampla do setor imobiliário, que representa mais de um quarto do PIB chinês.

As bolsas chinesas reagiram positivamente ao anúncio. As principais praças financeiras do país, como Hong Kong, Xangai e Shenzhen, registraram alta significativa. No entanto, economistas têm mostrado cautela sobre o impacto das medidas. Analistas como Julian Evans-Pritchard, da consultoria Capital Economics, e Raymond Yeung, do banco ANZ, indicaram que as medidas representam avanços, mas podem ser insuficientes para uma recuperação econômica mais robusta.

Yeung destacou a necessidade de uma política fiscal mais agressiva para reanimar a demanda. Ele também alertou para o que considera uma “armadilha de liquidez” na economia chinesa, sugerindo que o estímulo atual pode não ser suficiente para revitalizar o mercado como um todo.

Além das mudanças no setor bancário e das hipotecas, o Banco Central anunciou a criação de um fundo de 500 bilhões de yuans, cerca de R$ 390 bilhões, para estabilizar os mercados financeiros. Esse fundo será destinado a empresas cotadas e seguradoras, permitindo que comprem ações e reforcem seus investimentos. O objetivo é incentivar o crescimento econômico por meio de uma maior participação no mercado financeiro.

A crise no setor imobiliário chinês é uma das maiores preocupações do governo. Desde 2020, Pequim apertou as condições de crédito para promotores imobiliários, o que levou empresas como Evergrande e Country Garden à beira da falência. A queda nos preços dos imóveis tem dissuadido os chineses de investir no setor, aprofundando ainda mais a crise.

*Com informações da RFI.


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