Em sua primeira elevação desde agosto de 2022, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (16/09/2024), por unanimidade, elevar a taxa básica de juros da economia, a Selic, para 10,75% ao ano. O aumento de 0,25 ponto percentual foi motivado pela recente alta do dólar e pelas incertezas em torno da inflação. A decisão já era amplamente esperada pelo mercado financeiro.
Desde agosto de 2022, quando a Selic foi ajustada de 13,25% para 13,75%, a taxa passou por sete reduções consecutivas até atingir 10,5% em maio deste ano. Após manter a taxa por dois meses, o Copom optou por reajustá-la em sua reunião de setembro, em resposta ao cenário macroeconômico desfavorável.
Inflação
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em agosto de 2024, o IPCA registrou uma leve deflação de 0,02%, influenciada principalmente pela queda nos preços da energia elétrica. No entanto, essa redução é vista como temporária, já que a partir de setembro as tarifas de energia sofrerão reajustes com a adoção da bandeira vermelha nas contas de luz.
A seca prolongada também é um fator que deve pressionar os preços dos alimentos, o que pode manter a inflação em níveis elevados nos próximos meses. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou na semana anterior que o aumento dos preços dos alimentos, provocado pela oferta limitada, não deve ser combatido exclusivamente com o aumento dos juros.
Nos últimos 12 meses, o IPCA acumulou alta de 4,24%, valor que se aproxima do teto da meta de inflação estabelecida para o ano de 2024. O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou a meta de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, o que significa que a inflação oficial não deveria superar 4,5% nem ficar abaixo de 1,5%.
No último Relatório de Inflação, divulgado em junho, o Banco Central manteve a projeção de que a inflação encerrará o ano de 2024 em 4%. Contudo, a estimativa pode ser revisada no próximo relatório, a ser divulgado no final de setembro, em virtude dos impactos da alta do dólar e da seca prolongada sobre os preços.
Expectativas do Mercado
De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com o mercado financeiro, a previsão de inflação para o fim de 2024 subiu para 4,35%, valor próximo ao teto da meta de inflação. Há um mês, as projeções estavam em 4,22%, evidenciando o pessimismo crescente dos analistas com a capacidade de controle da inflação.
Impacto no Crédito e na Economia
A elevação da Selic tem como principal objetivo conter a inflação, ao tornar o crédito mais caro e, assim, reduzir o consumo e a demanda. Entretanto, o encarecimento do crédito tende a dificultar o crescimento econômico, já que afeta a produção e os investimentos. No Relatório de Inflação de junho, o Banco Central havia revisado a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2024 para 2,3%. No entanto, o mercado financeiro é mais otimista, projetando uma expansão de 2,96%, conforme o boletim Focus.
A taxa Selic é usada como referência nas negociações de títulos públicos e influencia todas as outras taxas de juros da economia. Quando o Banco Central eleva a Selic, a intenção é controlar o excesso de demanda que pressiona os preços, ao encarecer o crédito e estimular a poupança. Por outro lado, quando a autoridade monetária reduz os juros, facilita-se o crédito, o que pode estimular o crescimento econômico, mas com o risco de elevar a inflação.








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