Campanha do Dia do Rio Utinga inaugura nova fase na gestão dos recursos hídricos da Chapada Diamantina

Lançamento da campanha "Dia do Rio Utinga" reúne autoridades e comunidade para discutir a gestão sustentável da água na Bacia do Rio Utinga.
Lançamento da campanha "Dia do Rio Utinga" reúne autoridades e comunidade para discutir a gestão sustentável da água na Bacia do Rio Utinga.

Na noite desta quarta-feira (11/09/2024), foi lançada na sede da Associação dos Agricultores da Bacia do Rio Utinga (AABU), no município de Wagner, a campanha “Dia do Rio Utinga”. A iniciativa tem como principal objetivo sensibilizar os habitantes da região sobre a escassez de água e a importância da preservação dos recursos hídricos da Bacia do Rio Utinga, que se estende por diversos municípios da Chapada Diamantina. O evento, organizado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), contou com a participação de autoridades, agricultores, lideranças locais e representantes de órgãos ambientais.

Gestão sustentável da água e os desafios da Bacia do Rio Utinga

Durante a abertura do evento, Antônio Martins de Oliveira Rocha, diretor de Recursos Hídricos e Monitoramento Ambiental (DIRAM) do Inema, apresentou um diagnóstico detalhado sobre a situação atual do Rio Utinga, destacando os desafios enfrentados pela bacia em função das mudanças climáticas e do crescente uso dos recursos hídricos. A programação incluiu uma palestra socioeducativa que abordou a importância da gestão sustentável da água, com ênfase na necessidade de práticas que assegurem o abastecimento para consumo humano e as atividades econômicas da região, como agricultura familiar, pecuária e piscicultura.

Antônio Martins enfatizou a importância do envolvimento de todas as partes interessadas, especialmente os irrigantes e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Paraguaçu (CBH Paraguaçu), na implementação de medidas de proteção ao abastecimento de água na região.

“O Dia do Rio é uma manifestação clara do Estado para discutirmos e resolvermos as questões de escassez hídrica na Bacia do Rio Utinga. Esse diálogo nos permite um entendimento melhor, principalmente para buscar soluções adequadas”, avaliou Martins.

Ele destacou que entre as medidas previstas está a implementação de um dia semanal sem captação de água do rio, nas quartas-feiras, como forma de melhorar a disponibilidade hídrica na bacia.

Ações estratégicas e a perspectiva dos agricultores

Além da sensibilização, a campanha “Dia do Rio Utinga” inclui a realização de visitas técnicas a empreendimentos nos municípios de Wagner e Utinga, que utilizam a captação de recursos hídricos do Rio Utinga. Os técnicos da Sema e do Inema aproveitaram a oportunidade para avaliar as práticas de uso da água nesses locais, visando identificar possíveis melhorias na gestão dos recursos, garantir a conformidade com as normativas ambientais e promover o uso sustentável da água, de modo a assegurar a continuidade das atividades econômicas sem comprometer o abastecimento local.

Luiz Carlos Araújo, coordenador executivo de Ações Estratégicas (COAES) da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), e Ana Carolina Delfino, representando Simone Sodré, coordenadora da Unidade Regional Chapada Diamantina do Inema, também participaram do lançamento da campanha e reforçaram o compromisso das instituições com a implementação das ações propostas. Guilherme Sarmento, engenheiro agrônomo e presidente da AABU e do CBH Paraguaçu, acompanhou toda a atividade e comentou sobre a relevância da campanha.

“Avalio o encontro com o pessoal do Inema e da Sema como positivo. No entanto, só saberemos os resultados daqui para frente. Espero que este seja apenas o começo e que as ações avancem, pois precisamos de medidas concretas. Percebo nas falas do pessoal do Inema que essas ações acontecerão, então só tenho a agradecer a presença de todos e esperar que tudo se concretize”, declarou Sarmento.

O Rio Utinga, com cerca de 70 km de extensão, atravessa os municípios de Utinga, Wagner, Lajedinho, Lençóis e Andaraí, e tem sua nascente localizada na comunidade Cabeceira do Rio, habitada pelos indígenas da etnia Payayá. A preservação do rio é essencial para a sustentabilidade das atividades econômicas locais e para garantir o abastecimento de água para as comunidades que dependem dele.


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