Júlio Cruz do Espírito Santo, mais conhecido como Cotó do Licuri, é uma figura emblemática da cidade de Feira de Santana, onde há quase meio século dedica-se à venda de licuri, um pequeno coco produzido por duas variedades de palmeiras. Aos 80 anos, Júlio é um exemplo de perseverança e dignidade. Feirense de São José, distrito de Maria Quitéria, começou a trabalhar ainda criança. Aos 17 anos, perdeu a mão esquerda em um acidente enquanto fabricava fogos de artifício, mas isso não o impediu de continuar sua jornada em busca de sustento.
Após o acidente, Júlio tentou diversas atividades para sobreviver, sempre de forma honesta, como ele faz questão de afirmar. Fixou-se na venda de licuri, piabas e camarão na feira livre da Estação Nova, atividade que mantém há 45 anos. O licuri, também conhecido como aricuri, é amplamente utilizado na culinária, transformado em óleo vegetal ou consumido in natura, e ainda pode ser aproveitado em diversas receitas e até mesmo com cachaça, segundo Cotó. O produto é altamente valorizado por seu óleo, considerado saudável, e por suas muitas outras utilidades.
A rotina de Cotó é rigorosa. Aos domingos, ele sai de casa, no bairro Sobradinho, por volta das 6h da manhã e segue a pé até a Estação Nova, onde comercializa sua mercadoria. Durante o mês de setembro, ele conta que as vendas aumentam significativamente. Cotó vende em média 50 litros de licuri por dia, chegando a vender até dois sacos de 50 litros em dias de maior movimento. O licuri que ele vende é adquirido de licurizais da região de Jacobina, nos municípios de Serrolândia, Várzea do Poço, Piritiba e Quixabeira, onde há grande produção dessa espécie.
A relação de Cotó com a feira livre vai além da venda do licuri. Ele transita entre as feiras da Estação Nova, Sobradinho, Tomba, Cidade Nova e o Centro de Abastecimento, locais onde há sempre uma clientela fiel à sua mercadoria. Cotó também destaca a importância do licuri e da palmeira que o produz no artesanato. Diversos objetos, como chapéus, sandálias, bolsas e até brinquedos, são feitos com as palhas da palmeira, valorizando ainda mais o uso dessa espécie vegetal.
Embora goste de um “goró” (cachaça), Cotó mantém a disciplina de não beber enquanto trabalha. Ele revela também sua paixão pelo Fluminense de Feira, o único time de futebol pelo qual torce. A ligação com o esporte se reflete em sua rotina, quando acompanha os programas de rádio, especialmente aqueles que abordam futebol, sendo ouvinte assíduo da Rádio Sociedade de Feira.
Essa reportagem faz parte de uma série elaborada pela Secretaria de Comunicação Social de Feira de Santana, que celebra os 191 anos de emancipação político-administrativa do município, ocorrida em 18 de setembro. A iniciativa destaca personalidades que, como Cotó do Licuri, contribuem para a história e a cultura local.








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